Transferências internas de mercadoria: o que são

Transferências internas de mercadoria: o que são

Se a sua empresa tem mais de um armazém, ou um armazém central com várias filiais e pontos de venda, em algum momento você vai precisar mover mercadoria de um lugar para outro. Produtos que sobraram em um ponto e faltam em outro, compras que chegam ao armazém principal e precisam ser distribuídas entre as lojas, ou estoque que convém reequilibrar antes de o mês terminar. Esse movimento entre locais da mesma empresa, feito sem que haja uma venda ou uma compra, chama-se transferência interna de mercadoria, e é uma das operações de estoque mais frequentes, e uma das que mais gera diferenças quando é feita sem controle. Neste artigo explicamos o que é uma transferência interna, para que serve, quem participa, como ela é documentada e como controlá-la para que o estoque da sua empresa continue batendo, armazém por armazém. A ideia central é simples: uma transferência interna não cria nem destrói estoque; ela apenas o move de um local para outro. O que sai do armazém de origem deve entrar no armazém de destino, e o total do estoque da empresa permanece igual antes e depois da operação. Essa característica é o que diferencia a transferência da venda, que reduz o estoque, e do consumo interno, que também o reduz. Entender essa diferença é o primeiro passo para registrar cada movimento no lugar certo e evitar que os números saiam do controle.

O que é uma transferência interna de mercadoria

Uma transferência interna de mercadoria é o movimento de produtos entre armazéns, filiais ou centros de custo de uma mesma empresa, sem que haja venda, compra ou consumo. Em termos de estoque, é uma mudança de localização de itens que já pertencem à organização: a mercadoria sai do estoque do armazém de origem e entra no estoque do armazém de destino, mas nunca deixa de pertencer à empresa nem é entregue a um terceiro. Pense em um exemplo prático. O seu negócio tem um armazém central na cidade e duas filiais. Chega um pedido de caixas de papelão, mas o armazém central não tem espaço e a filial 2 precisa delas com urgência. Em vez de vender ou consumir, você faz uma transferência: as caixas saem do armazém central e são registradas como entrada na filial 2. Nenhuma das duas operações muda a quantidade total de caixas que a sua empresa tem em estoque; o que muda é apenas onde elas estão guardadas e em qual armazém devem ser procuradas na hora de despachar.

Para que serve uma transferência interna

As transferências internas existem para que o estoque esteja onde é necessário, no momento em que é necessário, sem comprar a mais nem deixar mercadoria parada em um canto. Os usos mais comuns são:
  • Abastecer filiais e pontos de venda: a compra é recebida no armazém central e, a partir dele, os produtos que cada loja vai vender são transferidos, em vez de cada ponto fazer compras separadas.
  • Centralizar o estoque: concentrar as compras e o armazenamento em um armazém principal e despachar para os demais conforme a demanda, o que reduz custos e melhora o poder de negociação com os fornecedores.
  • Reequilibrar o estoque: quando uma filial tem excesso de um produto e outra está prestes a ficar sem ele, a transferência iguala os níveis dos dois locais sem necessidade de novas compras.
  • Devolver mercadoria: retornar ao armazém central produtos que não foram vendidos, que vão mudar de ponto de venda ou que devem sair de circulação por causa da estação.
  • Separar mercadoria por condição: mover para um armazém ou uma área especial os produtos danificados, vencidos ou em quarentena, para que não se misturem com o estoque disponível.

Quem participa de uma transferência interna

Toda transferência envolve duas partes internas: o armazém de origem, que entrega a mercadoria, e o armazém de destino, que a recebe. Cada um tem responsabilidades claras:
  • Armazém de origem: separa e prepara os produtos, confere com o documento de transferência, despacha e registra a saída do seu estoque. O responsável assina a entrega.
  • Armazém de destino: recebe a mercadoria, confere a quantidade e o estado em relação ao documento, registra a entrada no seu estoque e assina o recebimento.
Quando os dois armazéns registram a sua parte do movimento, a transferência fica completa e o estoque de cada local reflete a realidade. Se um dos dois não registrar, a mercadoria fica no ar: já não está na origem, mas também não aparece no destino, e essa lacuna é exatamente o que depois surge como falta no inventário físico.

Como funciona o processo, passo a passo

Cada empresa tem o seu jeito de trabalhar, mas uma transferência interna bem controlada segue sempre o mesmo fluxo:
  1. Detectar a necessidade. Alguém identifica que um produto precisa passar de um armazém para outro: falta no destino, sobra na origem ou uma ordem de distribuição.
  2. Criar o documento de transferência. São registrados a data, o armazém de origem, o armazém de destino, os produtos e as quantidades que serão movimentadas.
  3. Despachar na origem. O armazém de origem prepara a mercadoria, confere e baixa do seu estoque, deixando registrada a saída.
  4. Mover fisicamente a mercadoria. Os produtos viajam de um local para outro, seja dentro do mesmo prédio, entre unidades ou com transporte terceirizado.
  5. Receber no destino. O armazém de destino confere a mercadoria, verifica e registra a entrada no seu estoque.
  6. Encerrar o documento. Com a saída na origem e a entrada no destino registradas, a transferência é encerrada e o sistema fica conciliado.
Repare nos passos 3 e 5: a transferência sempre gera dois movimentos, uma saída e uma entrada. Por isso o total de estoque da empresa não muda: a saída é compensada pela entrada. Quando apenas um dos dois movimentos é registrado, aparece uma diferença muito difícil de rastrear depois.

Dados que o documento de transferência deve ter

O documento de transferência é a prova de que a mercadoria se moveu e a base para conciliar os estoques dos dois armazéns. Um bom documento deve incluir, no mínimo:
  • Número sequencial e data da transferência.
  • Armazém ou filial de origem e armazém ou filial de destino.
  • Responsáveis pela entrega e pelo recebimento.
  • Código e descrição de cada produto transferido.
  • Quantidade e unidade de medida de cada produto.
  • Lote, data de validade ou números de série, quando o produto exigir.
  • Observações: ocorrências, perdas identificadas ou estado da mercadoria.
Quanto mais informações o documento tiver, mais fácil será responder depois a perguntas como quando isso chegou aqui, quem entregou ou por que chegaram 90 unidades se saíram 100. A rastreabilidade das transferências é o que permite auditar o estoque sem depender da memória de ninguém.

Diferença entre transferência, venda e consumo

O erro mais comum nos armazéns é registrar como venda ou como consumo um movimento que, na verdade, é uma transferência, ou o contrário. Para não confundir, tenha clara esta tabela:
OperaçãoO total de estoque muda?Envolve dinheiro?Para onde vai a mercadoria?
VendaSim: o estoque diminuiSim, há entrada de dinheiroPara um cliente externo
Consumo internoSim: o estoque diminuiNãoÉ usada dentro da empresa: produção, manutenção ou uso interno
Transferência internaNão: apenas muda de localNãoPara outro armazém, filial ou centro de custo da mesma empresa
Se você registra uma venda como transferência, o estoque fica inflado e o dinheiro não bate. Se registra uma transferência como venda, perde itens que nunca saíram da empresa. Por isso o critério para escolher o tipo de movimento precisa estar claro para toda a equipe do armazém, e ninguém deveria decidir isso na hora.

Como controlar as transferências internas

A regra de ouro do controle de transferências é simples: o que chega ao destino deve ser exatamente o que saiu da origem. Para conseguir isso, aplique estes controles:
  • Confira sempre no recebimento: conte, pese ou meça a mercadoria contra o documento antes de assinar.
  • Registre a saída e a entrada no mesmo dia do movimento, não dias depois, quando ninguém mais lembra dos detalhes.
  • Concilie periodicamente o estoque de cada armazém com os seus documentos de transferência.
  • Investigue e ajuste as diferenças: se faltar mercadoria, defina se foi quebra, erro de despacho ou perda, e ajuste o estoque com o devido comprovante.
  • Evite transferências em aberto: um documento não encerrado é estoque que não bate em nenhum dos dois armazéns.
Quando as transferências são controladas dessa forma, deixam de ser dor de cabeça e viram uma operação previsível. O estoque de cada armazém reflete o que realmente existe nele, e as contagens cíclicas ou os inventários físicos de fim de mês deixam de trazer surpresas.

Benefícios de fazer transferências bem feitas

  • Você evita o estoque duplicado: como cada saída é compensada por uma entrada, o mesmo produto nunca fica registrado duas vezes nem desaparece do sistema.
  • Você sabe onde está cada item: consegue responder em segundos quanto tem de um produto em cada armazém e filial.
  • Você reduz faltas de estoque: a mercadoria vai para onde é necessária antes de acabar.
  • Você melhora as compras: com um estoque confiável por local, compra apenas o que realmente falta.
  • Você facilita auditorias: cada movimento tem um documento com origem, destino, responsáveis e datas.
  • Você aproveita melhor o espaço e o dinheiro investido em mercadoria.
Dominar as transferências internas faz parte de ter um estoque profissional: saber o que você tem, em que quantidade e em que lugar. E para isso não é preciso preencher planilhas soltas nem depender de ligações entre armazéns. O módulo de transferências internas do Kardex Tauro permite registrar a saída no armazém de origem e a entrada no armazém de destino com um único documento, mantendo o estoque de toda a sua empresa sempre atualizado, sem registros duplicados nem diferenças.
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