Controle de existências: o que é e como aplicar

Controle de existências: o que é e como aplicar

Se o seu negócio trabalha com produtos físicos, há uma pergunta que volta o tempo todo: o que existe de fato no armazém, quanto vale e quando é preciso comprar mais? Responder com dados confiáveis, e não com aproximações nem com a memória de quem faz as entregas, é exatamente o que faz o controle de existências. Neste artigo explicamos o que ele é, para que serve, por que as existências físicas e as registradas quase nunca batem de primeira, quais são os métodos mais usados para controlar o estoque e como tudo isso se aplica dentro de um sistema de gestão de armazém. No final você encontra uma tabela com problemas típicos e suas soluções, além de um exemplo de cálculo do ponto de reposição com números concretos que pode adaptar ao seu negócio. Se você quer a resposta curta: o controle de existências é o conjunto de métodos e procedimentos que uma empresa usa para saber a todo momento qual mercadoria tem, em que quantidade, em que lugar do armazém está e quanto vale. Em outras palavras, é o que evita que o depósito seja uma caixa-preta cujo conteúdo só é conhecido quando alguém se dá ao trabalho de contar tudo.

O que é o controle de existências

As existências, também chamadas de estoque ou inventário, são os bens que a empresa mantém para vender ou para usar na sua operação: mercadoria acabada, matérias-primas, insumos, embalagens, peças de reposição e produtos em processo. O controle de existências é a disciplina que acompanha esses bens e permite responder a quatro perguntas básicas a qualquer momento:
  • O que existe: identificar cada produto presente no armazém, sem confusão entre referências parecidas nem produtos que nunca foram cadastrados.
  • Quanto existe: conhecer a quantidade exata e atualizada de cada referência, e não a quantidade que se supõe que deveria existir.
  • Onde está: saber em qual zona, prateleira ou localização cada produto se encontra, para achá-lo e despachá-lo em minutos.
  • Quanto vale: ter o valor monetário do estoque, um dado essencial para os demonstrativos financeiros, os seguros e as decisões de compra.
Vale esclarecer uma diferença que costuma confundir: controlar existências não é o mesmo que fazer um inventário. Fazer um inventário, ou seja, contar a mercadoria, é uma ação pontual, executada em uma data determinada. O controle de existências é o processo permanente que inclui registrar cada entrada e cada saída, comparar os registros com a realidade, definir políticas de compra e corrigir os desvios que aparecem. Um bom controle transforma a contagem física em uma verificação rotineira de um sistema que já funciona bem, e não em um evento temido, repetido uma ou duas vezes por ano porque ninguém confia nos números do dia a dia.

Existências físicas e existências registradas

Para entender o controle de existências é preciso distinguir duas realidades que convivem em toda empresa. As existências físicas são as que realmente estão no armazém: as unidades que podem ser tocadas, contadas e pesadas. As existências registradas são as que os documentos e os sistemas mostram: a ficha de estoque, as notas fiscais, os recibos de remessa e o software de inventário. Em teoria os dois números deveriam ser idênticos, mas na prática eles se desencontram por muitos motivos: recebimentos que chegam com menos unidades do que o faturado e nunca são reclamados, erros de digitação ao registrar uma venda, mercadoria danificada ou vencida que é descartada sem baixa, furtos e perdas internas, transferências entre filiais que não são documentadas, devoluções de clientes que são recebidas mas nunca entram no sistema e produtos mal localizados que parecem não existir. Quando o registro diz que há estoque mas a prateleira está vazia, há uma falta; quando aparece mais mercadoria do que a registrada, há uma sobra. Os dois casos são sinais de que o controle está falhando. O papel do controle de existências é exatamente reduzir essa diferença até deixá-la mínima. Para isso não basta ajustar o número quando a diferença é encontrada: é preciso procurar a causa. Se um produto perde unidades toda semana, o problema pode estar na expedição, no recebimento ou na manipulação, e corrigir apenas o saldo no sistema é tampar um buraco que vai se abrir de novo.

Para que serve o controle de existências: objetivos

Um sistema de controle de existências bem aplicado persegue objetivos bem concretos:
  • Evitar faltas: ficar sem um produto significa vendas perdidas, clientes que vão para a concorrência e compras de emergência por preços mais altos.
  • Evitar sobras: o excesso de estoque imobiliza dinheiro que poderia ser usado em outras áreas e aumenta o risco de obsolescência e vencimento.
  • Reduzir perdas e quebras: com saldos reais conhecidos, é possível detectar a tempo as perdas por deterioração, furto ou erros operacionais.
  • Conhecer o valor do estoque: saber quanto dinheiro a mercadoria armazenada representa é indispensável para os demonstrativos financeiros, os impostos e os seguros.
  • Decidir compras com base em dados: com informação confiável define-se quando comprar, quanto comprar e de qual fornecedor, em vez de fazer pedidos por intuição.
  • Melhorar o atendimento ao cliente: entregar os pedidos completos e no prazo é impossível se não se sabe com certeza o que está disponível.

Métodos básicos de controle de existências

Não existe um único método correto: a escolha depende do tamanho do negócio, do tipo de produto e dos recursos disponíveis. Estes são os métodos básicos usados em quase qualquer empresa:
  • Inventário periódico: a mercadoria é contada por completo em datas determinadas, por exemplo no fechamento de cada mês ou de cada ano. É simples e barato de implementar, mas entre uma contagem e outra a empresa opera sem conhecer seus saldos reais e qualquer erro é descoberto tarde.
  • Inventário permanente ou perpétuo: cada entrada e cada saída é registrada no momento em que ocorre, de modo que o saldo do sistema reflete a existência a todo instante. Exige disciplina no registro e, na prática, o apoio de uma ficha de estoque ou de um software de inventário.
  • Contagens cíclicas: em vez de contar tudo de uma só vez, conta-se todos os dias ou todas as semanas uma parte do armazém, de maneira que todos os produtos sejam verificados várias vezes por ano sem parar a operação. É o complemento ideal do inventário permanente.
  • Ponto de reposição: é o nível de existências que, ao ser alcançado, indica que um novo pedido deve ser feito ao fornecedor. Calcula-se a partir do consumo diário, do prazo de reposição e do estoque de segurança, como veremos no exemplo a seguir.
  • Classificação ABC: os produtos são agrupados segundo sua importância em valor ou em vendas. Os itens A são poucos, mas concentram grande parte do valor e exigem controle rigoroso; os B têm importância média; os C são numerosos, de baixo valor e admitem um controle mais simples. Assim o esforço se concentra onde tem mais impacto.
Na prática recomendada combinam-se vários métodos: um inventário permanente apoiado em sistema, contagens cíclicas para verificar no terreno, classificação ABC para definir prioridades e ponto de reposição para disparar as compras.

Como calcular o ponto de reposição: exemplo prático

O ponto de reposição responde a uma pergunta simples: em que momento exato devo pedir mercadoria ao fornecedor para que ela chegue antes de o estoque acabar? A fórmula básica é: Ponto de reposição = consumo diário × prazo de reposição em dias + estoque de segurança Vamos a um exemplo com números redondos para que o cálculo fique claro. Suponha que um negócio venda 20 unidades diárias de um produto. O fornecedor leva 15 dias para entregar um pedido, e a empresa quer manter um estoque de segurança de 100 unidades para cobrir atrasos do fornecedor ou picos inesperados de demanda.
  1. Calcula-se o consumo durante a reposição: 20 unidades por dia × 15 dias = 300 unidades.
  2. Soma-se o estoque de segurança: 300 + 100 = 400 unidades.
O ponto de reposição é, então, de 400 unidades. A leitura é a seguinte: quando o saldo do produto cair para 400 unidades, faz-se o pedido ao fornecedor. Durante os 15 dias que a entrega leva, consomem-se 300 unidades e ficam as 100 do estoque de segurança. Se o fornecedor cumprir o prazo, a mercadoria nova chega exatamente quando o estoque toca seu nível mínimo de proteção, e o produto nunca acaba nem as vendas param. Se o pedido for feito mais tarde, o negócio fica dependendo apenas do estoque de segurança; se for feito antes, acumula-se estoque desnecessário. Para usar a fórmula no seu negócio você só precisa de três dados: o consumo diário médio, obtido dividindo as vendas dos últimos meses pelos dias do período; o prazo de reposição real do fornecedor, que é melhor medir com pedidos anteriores do que confiar no que o vendedor promete; e o estoque de segurança, que depende da variabilidade da demanda e da confiabilidade do fornecedor. Quando qualquer um desses três valores muda, o ponto de reposição deve ser recalculado.

O que é a gestão de armazém e como ela se relaciona

A gestão de armazém, também chamada de gestão de depósito, é o conjunto de atividades operacionais que organiza o movimento físico da mercadoria dentro do local. Se o controle de existências é a camada de informação, a gestão de armazém é a camada de execução: ela define como cada produto é recebido, onde é guardado e como é despachado. Quando as duas funcionam de forma coordenada, fala-se em um sistema de gestão de armazém completo. São quatro processos básicos:
  • Recebimento: ao chegar a mercadoria, ela é conferida com o pedido de compra e o documento de remessa do fornecedor: verificam-se quantidades, referências e estado dos produtos antes de aceitá-la, e a entrada é registrada.
  • Localização: cada produto recebe um lugar fixo e codificado dentro do armazém (zona, corredor, prateleira, posição), de modo que qualquer pessoa possa encontrá-lo sem precisar procurar.
  • Armazenagem: os produtos são mantidos organizados, etiquetados e protegidos, e aplica-se a rotação de estoque, por exemplo primeiro que entra, primeiro que sai, quando há datas de validade.
  • Expedição: os pedidos são preparados retirando a mercadoria de sua localização, as quantidades são conferidas e a saída é registrada para que o saldo do sistema fique atualizado.
Cada um desses processos gera um movimento que precisa ficar registrado: uma entrada ou uma saída que alimenta o controle de existências. Por isso é um erro implementar a gestão de armazém sem registrar os movimentos, ou manter registros perfeitos no escritório enquanto o depósito físico vive na desordem. A ordem física e a informação devem caminhar juntas.

Ferramentas para o controle de existências

Para colocar o controle em prática é preciso algum tipo de ferramenta de registro. As opções vão do mais simples ao mais sofisticado:
  • Ficha de estoque (kardex): é o registro individual de cada produto, onde se anotam as entradas, as saídas e o saldo, junto com a data e o valor de cada movimento. Pode ser uma ficha física ou um registro digital, e continua sendo a base conceitual de quase todos os sistemas de inventário.
  • Planilhas: uma planilha bem desenhada, com fórmulas de saldo, é um ponto de partida válido para negócios pequenos. Seus limites aparecem com o volume: erros de digitação, arquivos duplicados e a dificuldade de várias pessoas trabalharem no mesmo arquivo.
  • Software de inventário: automatiza o registro de entradas e saídas, integra vendas e compras, calcula o valor do estoque, alerta quando o ponto de reposição é atingido e gera relatórios de rotação e de diferenças. É a opção recomendada quando há muitos produtos, várias pessoas envolvidas ou mais de uma filial.

Problemas comuns, métodos de controle e resultados

Para fechar, uma tabela que resume os problemas mais frequentes com seu método de controle e o resultado esperado:
ProblemaMétodo de controleResultado
Não se sabe quanta mercadoria há no armazémInventário permanente com contagens cíclicasSaldos atualizados e diferenças detectadas a tempo
Os produtos mais vendidos acabamPonto de reposição com estoque de segurançaPedidos oportunos e menos vendas perdidas
Dinheiro imobilizado em produtos que não giramClassificação ABC e revisão da rotaçãoCompras ajustadas à demanda real
Perdas e diferenças sem explicaçãoContagem física periódica comparada com os registrosPerdas visíveis e causas corrigíveis
Produtos extraviados e atrasos na expediçãoGestão de armazém com localizações fixasMercadoria encontrada em minutos e pedidos no prazo

O controle de existências não é um luxo reservado às grandes empresas: é uma necessidade de qualquer negócio que trabalhe com estoque, por menor que seja. Começar não exige grandes investimentos: basta definir os produtos, registrar as entradas e saídas com constância, aplicar um método simples como o ponto de reposição, manter o armazém organizado e revisar os números com contagens periódicas. Com o tempo, esses hábitos se transformam em informação valiosa para comprar melhor, atender melhor os clientes e conhecer o valor real do negócio. E quando o volume crescer, um sistema que registra cada movimento automaticamente fará o trabalho por você: ferramentas como o Kardex Tauro são feitas para que o controle de existências deixe de ser uma dor de cabeça e vire uma vantagem competitiva.
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