Métodos de avaliação de estoques (kardex)

Métodos de avaliação de estoques (kardex)
Para uma pequena empresa, a mercadoria no depósito costuma ser o ativo mais valioso: dinheiro já investido que ainda não virou venda. Saber quanto vale esse estoque não é um luxo contábil, mas uma necessidade diária para definir preços, calcular lucros e declarar impostos. Como os produtos são comprados a preços diferentes ao longo do ano, a pergunta "quanto vale o que eu tenho?" não tem uma única resposta: depende do método de avaliação aplicado, e esse método é aplicado movimento a movimento no kardex.
Neste artigo, veremos o que é o kardex, em que consistem os três métodos mais usados (PEPS, UEPS e custo médio ponderado), como cada um se reflete no registro e qual é o mais adequado para uma pequena empresa.
O que é o kardex?
O kardex é o registro cronológico e individual dos movimentos de cada produto: as entradas (compras, devoluções, transferências recebidas) e as saídas (vendas, perdas, transferências enviadas). Para cada movimento, anotam-se a data, o conceito, o terceiro, as unidades que entram e saem, o saldo que fica e o valor unitário da operação.
Pense no kardex como a história completa do produto no seu depósito, enquanto o relatório de existências é apenas uma foto do momento. Sem um kardex bem mantido, você não sabe a que custo cada unidade entrou nem quanto sobrou depois de cada venda. Esclarecimento importante: o kardex não avalia nada sozinho; ele é o livro onde os movimentos são registrados. O método de avaliação é a regra que decide a que custo cada unidade sai e como o estoque restante fica valorizado.
O que é um método de avaliação?
É uma regra contábil para atribuir custo à mercadoria quando o preço de compra muda. Suponha que você compre 100 unidades a 10.000 e, duas semanas depois, outras 100 a 12.000. Ao vender 150, qual é o custo delas: o das primeiras, o das últimas ou uma mistura dos dois? Cada método responde de forma diferente, e essa resposta altera o custo das vendas, o lucro do período e o valor do estoque final.
Vejamos os três métodos com um exemplo simples para perceber o efeito deles no kardex. Caso: em 2 de janeiro, entram 10 unidades a 1.000; em 10 de janeiro, entram mais 10 a 1.200; em 15 de janeiro, saem 12 unidades.
PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai)
No PEPS, a mercadoria sai na ordem em que entrou: as primeiras unidades compradas são as primeiras a serem vendidas. O estoque que permanece fica valorizado pelos custos mais recentes, mais próximos do preço atual de reposição.
No exemplo, a saída de 12 unidades é custeada com as 10 unidades a 1.000 e 2 unidades a 1.200: (10 x 1.000) + (2 x 1.200) = 12.400. O kardex mostra a saída por 12.400 e um saldo de 8 unidades a 1.200 cada (9.600 no total).
- Vantagem: o estoque final fica próximo do preço atual, e o método é aceito pela maioria das normas contábeis e fiscais.
- Desvantagem: com inflação, o custo das vendas fica subestimado, e o lucro contábil e o imposto são inflados.
- Regra: os custos antigos saem primeiro; o que fica é o mais recente.
UEPS (último que entra, primeiro que sai)
No UEPS, assume-se o contrário: as últimas unidades compradas são as primeiras a sair, e o que fica no depósito é valorizado pelos custos mais antigos.
No mesmo caso, a saída utiliza 10 unidades a 1.200 e 2 a 1.000: (10 x 1.200) + (2 x 1.000) = 14.000. O kardex registra a saída por 14.000 e deixa um saldo de 8 unidades a 1.000 (8.000 no total).
- Vantagem: com inflação, lança os custos recentes mais altos nas vendas e reduz o lucro reportado e o imposto.
- Desvantagem: o estoque final fica a preços antigos, e o método não é aceito em diversos países sob as IFRS, nem na Colômbia para fins contábeis.
- Regra: os custos novos saem primeiro; o que fica é o mais antigo.
Custo médio ponderado
Esse método não persegue qual unidade saiu primeiro: ele mistura todos os custos e calcula um valor unitário médio que é atualizado a cada entrada. É o mais usado por pequenas empresas pela simplicidade e porque suaviza as mudanças de preço.
Com 20 unidades que custaram 22.000 no total, a média é 22.000 / 20 = 1.100 por unidade. A saída de 12 unidades é custeada a 1.100: 12 x 1.100 = 13.200, e restam 8 unidades a 1.100 (8.800). Se entrarem 10 unidades a 1.300, a média é recalculada: (8 x 1.100 + 10 x 1.300) / 18 = 1.211, aproximadamente.
- Vantagem: fácil de entender e operar, difícil de manipular e realista quando os preços mudam constantemente.
- Desvantagem: com inflação forte, afasta-se do preço de reposição e exige recalcular o valor unitário a cada entrada.
- Regra: cada compra mistura o custo; até a próxima entrada, todas as saídas carregam o mesmo valor unitário.
Tabela comparativa dos três métodos
| Método | Em que consiste | Cálculo do custo da saída | Vantagens | Desvantagens | Quando usar |
|---|---|---|---|---|---|
| PEPS | Os primeiros que entram são os primeiros a sair. | Do custo mais antigo ao mais novo. | Estoque próximo do preço atual; aceito pela norma. | Com inflação, lucro e imposto mais altos. | Quando os preços sobem e você quer o estoque a valor de reposição. |
| UEPS | Os últimos que entram são os primeiros a sair. | Do custo mais recente para trás. | Com inflação, reduz o lucro e o imposto. | Estoque a preços antigos; não permitido sob as IFRS. | Somente onde a lei permite e para fins fiscais específicos. |
| Custo médio ponderado | Todas as unidades a um custo médio atualizado a cada entrada. | Custo total acumulado dividido pelas unidades disponíveis. | Simples, estável e difícil de manipular. | Afasta-se do preço de reposição com inflação alta. | Na maioria das pequenas e médias empresas e do comércio. |
Qual é o mais adequado para uma pequena empresa?
Para um pequeno negócio, a recomendação prática é quase sempre o custo médio ponderado. O motivo é operacional: o método precisa ser sustentável no dia a dia sem depender de um contador em cada movimento. A média exige um único cálculo por entrada, gera um único valor unitário e evita discutir qual lote físico saiu primeiro — algo quase impossível com produtos fungíveis, como grãos, peças de reposição ou mantimentos.
Além disso, sob as IFRS, o UEPS não é aceito para fins contábeis, e o PEPS exige um controle de lotes que poucas microempresas conseguem manter. Por isso, com menos de 50 funcionários e um negócio de compra e revenda, o custo médio ponderado é a opção equilibrada: atende à norma, é defensável diante da autoridade tributária e não complica a operação do almoxarifado.
O método no kardex com um programa
Manter esses métodos à mão, em cadernos ou planilhas, é lento e sujeito a erros quando um produto acumula dezenas de movimentos por mês. Um programa de estoques faz esse trabalho por você. O Kardex Tauro, por exemplo, registra cada entrada e cada saída no kardex do produto e, ao registrar uma compra, atualiza o custo médio automaticamente, de modo que a próxima venda seja custeada pelo valor correto sem que você precise calcular nada. Como o kardex permanece como um histórico imutável, você sempre pode consultar o que entrou, o que saiu, a que custo e com que saldo o produto ficou.
Entenda o que há por trás desses números: o programa aplica a regra do custo médio por você, mas a decisão de usá-la, e não o PEPS ou o UEPS, é sua, idealmente com a aprovação do seu contador, porque ela afeta o custo das vendas, o lucro e os impostos do seu negócio.
Conclusão
Valorizar o estoque não é uma formalidade de fim de ano: é uma decisão tomada a cada compra e a cada venda. O kardex é o registro onde essa decisão se torna visível, e o método define o custo que sai, o saldo que fica e o lucro que você declara. Para a maioria das pequenas empresas, o custo médio ponderado é a opção mais sensata pela simplicidade e pela aceitação normativa.
Se você quer parar de calcular médias à mão e manter o kardex de cada produto sempre em dia, experimente o Kardex Tauro: registre suas compras e vendas e deixe o programa fazer a avaliação por você, com o histórico completo e organizado para quando precisar.