Como Saber Quanto se Compra de Cada Produto

Como Saber Quanto se Compra de Cada Produto
Muitos negócios pequenos compram de memória. O dono sabe que no mês passado se pediu bastante de tal fornecedor, ou que o depósito sempre se enche de uns produtos e se esvazia de outros, mas não conseguiria responder com números uma pergunta simples: quantas unidades de cada item entraram no ano e quanto dinheiro foi gasto em cada um. Essa falta de detalhe sai cara: negocia-se sem dados, repõe-se o que sobra e deixa-se de lado o que está faltando.
Saber quanto se compra de cada produto não é um luxo reservado às grandes empresas: é uma das perguntas mais rentáveis que um negócio pequeno pode responder. Com esse número, negocia-se melhor com os fornecedores, evita-se acumular mercadoria que não gira e planeja-se o orçamento do próximo período com base na realidade e não na intuição. Neste artigo explicamos por que esse dado importa, como construí-lo a partir das ordens de compra e quais decisões tomar quando ele já está em mãos.
Por que importa saber quanto se compra de cada produto
O total de compras do ano diz muito pouco: saber que o negócio comprou mercadoria no valor de oitenta milhões de pesos não ajuda a decidir nada concreto. O útil é o detalhe por produto, porque cada número responde a uma pergunta diferente:
- Para negociar com fornecedores. Um fornecedor escuta de outra forma quando se diz que o negócio comprou dele mil e duzentas unidades de um produto no ano do que quando apenas se pede um desconto porque somos bons clientes. O volume real por item é a melhor ferramenta de negociação: com ele se pedem melhores condições de pagamento, descontos por volume ou prioridade nas entregas, e se sabe em qual fornecedor vale a pena pressionar.
- Para não comprar demais nem ficar sem estoque. Quando o pedido é decidido por sensações, o mesmo erro se repete sempre: pede-se demais do produto que se acredita vender mais e esquece-se o que de fato está acabando. Com o número em mãos, a compra é dividida conforme o que cada produto consumiu no período e não conforme o que o comprador lembra.
- Para identificar o que não gira. Há produtos que ocupam espaço e capital durante meses enquanto os pedidos continuam chegando por inércia. Ao comparar o que foi comprado com o movimento real de cada item no estoque, esses produtos ficam evidentes e é possível frear a compra antes que o problema cresça.
- Para planejar o orçamento. O orçamento de compras do próximo ano não se inventa: projeta-se a partir do que cada produto demandou neste ano. Quem sabe quanto comprou por produto sabe quanto dinheiro precisará e quando, e pode providenciar crédito ou antecipar pagamentos com tempo.
A ordem de compra é a origem do dado
O número de quanto se compra de cada produto não se inventa: lê-se nos documentos que o negócio já gera. A ordem de compra é o registro onde fica escrita a decisão de comprar: qual produto, quantas unidades, a que custo e de qual fornecedor. Cada ordem está associada ao item que foi pedido, então o histórico do ano nada mais é do que a soma organizada de todas essas ordens.
No Kardex Tauro, o negócio registra suas ordens de compra e, quando a mercadoria chega, o recebimento dessa compra gera a entrada no estoque com o seu custo; cada compra fica associada ao seu produto. Isso significa que a base para responder quanto se comprou de cada item já está sendo registrada no dia a dia: não é preciso manter uma contabilidade paralela, apenas aproveitar a informação que as ordens de compra já contêm.
Como acumular a informação mês a mês
Manter esse dado não exige fórmulas complicadas. A ideia é simples: no fechamento de cada período, somam-se as compras de cada produto e elas vão se acumulando durante o ano. Estes são os passos:
- Definir o período. O natural é o ano, mas convém acumular também por mês para ver em quais épocas as compras de cada item se concentram.
- Reunir as ordens do período. Toda ordem de compra registrada deve ficar incluída, grande ou pequena; as ordens pequenas e frequentes são as que mais se esquecem.
- Somar por produto. Para cada item, acumulam-se dois números: as unidades compradas e o valor total dessas compras. Ambos importam: um diz quanto volume foi movimentado e o outro quanto dinheiro foi comprometido.
- Calcular a participação. Divide-se o valor comprado de cada produto pelo valor total comprado no período. Esse percentual mostra o quanto cada item é importante dentro das compras do negócio.
- Revisar o resultado com critério. A tabela consolidada não se guarda e se esquece: ela se revisa antes de cada rodada de compras e pelo menos uma vez por mês.
Um exemplo com números
Vejamos o caso de uma loja de ferragens que quer saber como distribuiu suas compras durante o ano. Ao consolidar suas ordens de compra produto por produto, ela obtém esta tabela (valores ilustrativos em pesos colombianos):
| Produto | Compras do ano | Quantidade | Valor | % do total |
|---|---|---|---|---|
| Cimento cinza de 50 kg | 6 ordens | 260 sacos | $8.840.000 | 34 % |
| Tinta branca de 4 L | 4 ordens | 130 unidades | $5.460.000 | 21 % |
| Luvas de vaqueta | 5 ordens | 300 pares | $3.900.000 | 15 % |
| Brocas para concreto | 7 ordens | 240 unidades | $4.680.000 | 18 % |
| Lixas para madeira | 3 ordens | 240 pacotes | $3.120.000 | 12 % |
| Total | 25 ordens | 1.170 unidades | $26.000.000 | 100 % |
A leitura é imediata. O cimento concentra 34 % do dinheiro comprado e é, de longe, o produto mais importante da loja: qualquer melhoria no seu custo de compra vale mais do que um desconto repartido entre os demais itens. Por isso ele merece uma negociação dedicada com o fornecedor e compras planejadas com antecedência.
As brocas mostram outro padrão: sete ordens no ano para 240 unidades indicam pedidos pequenos e repetidos. Consolidar essas compras em menos ordens, de maior tamanho, reduz o tempo dedicado a tramitar pedidos e dá mais força na negociação do preço. As lixas, com apenas três ordens e 12 % do valor, são um item de apoio: não convém dedicar grandes esforços de negociação a elas, mas sim vigiar para que o pedido seja renovado antes de acabar e não por costume.
A tabela também convida a comparar cada linha com o movimento do estoque. Se um produto acumula compras altas mas sai pouco do depósito, a conclusão não é que ele venda mal, e sim que se está comprando demais: o dinheiro acabou virando mercadoria parada.
Quais decisões tomar com essa informação
O valor da tabela não está em preenchê-la, mas nas decisões que ela permite tomar. Estes são os usos mais frequentes:
- Priorizar a negociação. Uma parte pequena dos produtos costuma concentrar a maior parte do valor comprado. Negociar primeiro com os fornecedores desses itens rende mais do que dividir o esforço igualmente entre todos.
- Ajustar a frequência de compra. Quem compra pouco e com frequência perde tempo e poder de negociação; quem compra muito de uma vez só arrisca ficar com estoque parado. O número por produto ajuda a encontrar o ponto intermediário para cada item.
- Limpar a lista de compras. Os produtos com compras baixas e movimento baixo devem ser revisados: talvez continuem na lista por costume e seu espaço possa ser melhor aproveitado.
- Projetar o orçamento. Com o valor comprado por produto neste ano, constrói-se o ponto de partida do orçamento do próximo, ajustado pelas mudanças que o negócio planeja.
- Detectar erros a tempo. Uma compra duplicada, uma quantidade digitada errada ou um pedido que nunca chegou deixam rastro no acumulado mensal; revisá-lo com regularidade permite corrigir o erro antes que ele afete o estoque.
Saber quanto se compra de cada produto transforma a compra em uma decisão informada e não em um palpite. Registrar as ordens de compra no Kardex Tauro, receber a mercadoria com o seu custo e revisar o acumulado por produto uma vez por mês é suficiente para que qualquer negócio pequeno converse com seus fornecedores com dados em mãos e compre apenas o que precisa.