Estoque mínimo e máximo: como definir para não ficar nem sem nem afogado em mercadoria

Estoque mínimo e máximo: como definir para não ficar nem sem nem afogado em mercadoria

Todo negócio que vende mercadoria vive entre dois medos: ficar sem produto justo quando o cliente pede, ou ter produto demais parado enquanto o dinheiro fica congelado na prateleira. Quem toca um comércio pequeno conhece bem os dois cenários. O primeiro se resolve comprando mais; o segundo se resolve comprando menos. O problema é que as duas respostas juntas não funcionam, e por isso o negócio precisa de números, não de achismo.

Esses números são o estoque mínimo e o estoque máximo de cada produto. Entre os dois fica uma faixa de trabalho: acima do mínimo você tem folga para vender com tranquilidade enquanto o fornecedor entrega, e abaixo do máximo você não está desperdiçando espaço nem dinheiro. Definir bem os dois não é burocracia: é a decisão que você toma a cada pedido, e é a diferença entre ter caixa disponível ou ter o caixa transformado em caixas empilhadas.

O que significa o estoque mínimo

O estoque mínimo é a quantidade abaixo da qual você começa a arriscar quebras de estoque. Em palavras simples: é o ponto em que, se você não pedir agora, vai ficar sem mercadoria antes de a próxima compra chegar. Para entender, não precisa de teoria, precisa de um exemplo.

Suponha que você venda umas três garrafas de óleo de cozinha por dia e que o seu fornecedor leve oito dias para entregar um pedido. Enquanto esse pedido viaja, você continua vendendo: em oito dias saem umas 24 garrafas. Se hoje você tem dez garrafas na prateleira, na metade do caminho zera o estoque e passa quatro dias com espaço vazio e cliente perguntando. O mínimo existe exatamente para evitar isso: ele precisa cobrir o consumo dos dias que o fornecedor leva para repor, mais uma pequena margem para o caso de a entrega atrasar ou a venda vir mais forte que o normal.

  • Vender abaixo do mínimo significa dizer não para clientes que já estavam na sua porta.
  • Também significa compras de emergência em cima da hora, que quase sempre saem mais caras e de um fornecedor diferente do habitual.
  • E quando a quebra se repete, o cliente aprende a procurar o produto em outro lugar, e esse hábito não volta com desconto.

O que é o estoque máximo (estoque máximo de segurança da prateleira)

O estoque máximo é o teto: a quantidade que não convém ultrapassar nem quando o fornecedor oferece um bom preço, porque acima dela o produto deixa de trabalhar para você e começa a trabalhar contra você. Cada unidade extra ocupa espaço, e o espaço de um ponto pequeno custa o mesmo cheio ou vazio. Mas o custo mais traiçoeiro não é o metro quadrado: é o dinheiro.

Quando você compra demais, esse dinheiro deixa de estar disponível para o resto: o salário do funcionário, o aluguel, a reposição de um produto que está vendendo rápido ou simplesmente a reserva para um imprevisto. Some a isso o risco físico. Um saco de arroz que umedece, um pote que vence, uma embalagem que estraga depois de meses empilhada: tudo isso é dinheiro que você comprou e nunca vai recuperar. O estoque máximo protege você de si mesmo no momento em que é mais difícil resistir: quando o vendedor liga com uma oferta.

Como calcular: duas regras simples

Você não precisa de um engenheiro de supply chain para começar. Duas regras bastam e, com o tempo, você ajusta com os seus próprios dados.

A primeira regra define o mínimo. Calcule o consumo diário dividindo o que você vendeu do produto no último mês por 30 dias. Multiplique pelos dias que o seu fornecedor leva para entregar e some uma margem de segurança de 15 a 25 por cento, ou o equivalente a alguns dias extras de venda. O resultado é o seu estoque mínimo. A lógica é direta: esse número cobre tudo o que você vai vender enquanto o pedido está a caminho.

A segunda regra define o máximo. Ao estoque mínimo você soma o seu lote habitual de compra: a quantidade que normalmente pede de cada vez, que quase sempre acompanha a embalagem do fornecedor ou a caixa fechada. Se o seu negócio compra pouco e com frequência, também pode usar o consumo de um ou dois meses como referência de máximo. Assim você tem um teto que permite pedir com tranquilidade toda vez que encosta no mínimo, sabendo que o pedido inteiro cabe no seu depósito sem exageros.

  1. Levante o consumo real dos últimos três a seis meses, produto por produto. Não invente o número: use as vendas registradas.
  2. Meça os dias de entrega reais de cada fornecedor, não os que ele promete. Se promete três e leva seis, trabalhe com seis.
  3. Escolha a margem por produto: curta para mercadoria barata que gira rápido, mais folgada para a que demora a repor.
  4. Defina o mínimo e o máximo, anote no seu controle de estoque e opere com eles por um mês.
  5. Ajuste: nenhum número sai perfeito de primeira, e por isso o passo cinco faz parte do método.

Exemplo com cinco produtos de velocidades diferentes

A melhor forma de enxergar é com números reais de um mercadinho de bairro. Abaixo estão cinco produtos com velocidades de venda bem diferentes, seus prazos de entrega e o mínimo e o máximo que resultam das regras. Repare que o mínimo sempre cobre o consumo durante o prazo de entrega mais uma margem, e o máximo soma o lote habitual de compra.

ProdutoConsumo mensalEntrega do fornecedorConsumo diário aprox.Estoque mínimo sugeridoEstoque máximo sugerido
Arroz (pacote de 1 kg)300 unidades6 dias10 unidades75 unidades225 unidades
Óleo de cozinha (garrafa de 1 L)90 unidades8 dias3 unidades30 unidades90 unidades
Atum em lata (lata de 170 g)120 unidades12 dias4 unidades60 unidades108 unidades
Detergente em pó (pacote de 500 g)45 unidades10 dias1,5 unidades20 unidades44 unidades
Molho de tomate (frasco)18 unidades15 dias0,6 unidades12 unidades24 unidades

Por que cada produto pede níveis diferentes

Vamos conferir duas linhas para a tabela não ficar só no papel. O óleo vende 90 garrafas por mês, umas três por dia. Com oito dias de entrega, durante o pedido saem 24 garrafas; o mínimo de 30 soma uma margem de seis, mais ou menos dois dias extras de venda. Como o lote habitual de compra é de 60 garrafas, ao receber o pedido o estoque sobe de 30 para 90, que é exatamente o máximo. O ciclo inteiro fica dentro da faixa.

Agora olhe o molho de tomate: vende menos de uma unidade por dia. Se você aplicasse a mesma receita mental do óleo, poderia achar que dez frascos é até demais, mas o fornecedor dele leva 15 dias. Nesse período saem umas nove unidades, então o mínimo de 12 é apenas o suficiente para chegar ao dia da entrega. Produtos lentos com fornecedores lentos são os que mais escondem quebras, porque o olho diz que tem bastante e a conta diz que não alcança. Por isso vale registrar os níveis e deixar o número mandar.

Não se obceque com decimais nem com arredondamentos perfeitos. Um mínimo de 12 ou de 15 cumpre o mesmo papel se o seu fornecedor for confiável; o importante é a ordem de grandeza e a revisão periódica. Para produtos perecíveis ou de moda passageira, encurte o máximo para o que você vende em poucas semanas, mesmo que o lote do fornecedor seja maior.

Quando o sistema avisa que você encostou no mínimo

Chegar ao estoque mínimo não é notícia ruim: é o sinal de que chegou a hora de pedir. Esse é o ponto exato em que você faz o pedido de reposição com a tranquilidade de que ainda tem mercadoria para vender enquanto ele chega. O problema prático é que, com centenas de itens, ninguém vai contar um por um todas as manhãs.

É aí que entra o registro organizado. Se você leva o estoque num sistema de kardex, como dá para fazer no Kardex Tauro, o programa pode avisar quando um produto encosta no nível mínimo, e você cuida só dos que realmente precisam. O aviso evita dois erros clássicos: comprar em pânico quando a prateleira já está vazia e comprar por impulso quando alguém acha que "está faltando" sem olhar os números.

Quando o aviso chegar, o procedimento é simples: confirme que o consumo continua o esperado, veja se vem uma temporada por perto e peça o lote habitual. Com o máximo bem definido, você já sabe que esse pedido não vai encher o depósito: apenas se aproxima do teto, e o próximo aviso de mínimo vem quando o estoque voltar a cair.

Como o máximo evita as compras em excesso

A compra em excesso quase nunca começa com má intenção. Começa com um vendedor oferecendo 15 por cento de desconto se você levar o dobro, ou com a ideia de que comprar muito de uma vez resolve o problema. O estoque máximo obriga você a fazer uma pergunta incômoda antes de aceitar: quantas semanas de venda essa oferta representa e cabe no meu negócio?

Se o seu máximo de atum é 108 latas e o fornecedor oferece 200 com desconto, o preço por lata cai alguns centavos, mas você paga a diferença em espaço, em caixa e em risco. São 92 latas acima do seu teto, que vão ocupar prateleira por mais de dois meses, e se o consumo cair por qualquer motivo, esse lote vira um problema que ainda foi pago adiantado. A regra prática é simples: o desconto por volume só compensa quando o lote cabe dentro do seu máximo, ou quando você tem certeza de que o giro vai justificar em poucas semanas.

O dinheiro tem uma vida só num negócio pequeno: ou está trabalhando na venda ou está parado. Cada real investido em mercadoria que não gira é um real que não está disponível para pagar a folha, o aluguel ou o próximo pedido do produto que realmente vende. O estoque máximo é a ferramenta que mantém esse equilíbrio, e ele aparece mais no extrato do banco do que na prateleira.

Ponto de pedido, estoque de segurança e estoque mínimo: vizinhos, não gêmeos

É fácil confundir o estoque mínimo com outros dois conceitos de nome parecido, mas vale saber o que é cada um, mesmo que no começo você use os três como um número só.

  • O estoque mínimo é a sua regra operacional: o nível abaixo do qual você pede para não ficar sem mercadoria. É o que você usa no dia a dia.
  • O ponto de pedido é o nível calculado com mais precisão que dispara a compra quando o estoque desce até ele; em negócios simples ele costuma ficar bem perto do mínimo, e por isso os dois se confundem.
  • O estoque de segurança é a margem extra que protege contra a variação: uma semana de venda acima do normal ou uma entrega que atrasa. Ele faz parte do mínimo quando você soma a margem, mas também pode ser tratado como uma camada separada.

Para uma pequena empresa que está começando a organizar os níveis de estoque, não precisa separar os três com cirurgia. Use o mínimo com a margem embutida como seu sinal de compra e, mais adiante, se um produto específico falhar por picos de demanda, acrescente um estoque de segurança extra só para ele e pronto. O importante é não achar que são livremente intercambiáveis: o mínimo com margem já é uma versão prática que junta ponto de pedido e segurança num único número fácil de explicar para quem fica no balcão.

Revise os níveis com as suas vendas reais

Nenhum mínimo ou máximo é eterno. As vendas mudam com a temporada, os fornecedores mudam de prazo e os produtos mudam de posição no catálogo. Um nível que estava perfeito em janeiro pode estar fora da realidade em março, quando o consumo de arroz sobe ou o fornecedor passa a demorar três dias a mais. Por isso a regra de ouro é revisar os níveis a cada um ou três meses, e sempre depois de uma mudança grande: produto novo, fornecedor diferente ou alta temporada.

A revisão é trabalho de dados, não de memória. Com um kardex em dia, como o que se mantém no Kardex Tauro, você compara em minutos o consumo real dos últimos meses com os níveis que definiu e ajusta os números que fugiram da meta. Sem registro confiável, a revisão vira opinião; com registro, vira uma decisão de uma tarde por mês que evita quebras e excessos durante o resto do ano.

Comece simples: defina mínimo e máximo para os seus vinte produtos mais importantes, opere por um mês e corrija. Você não busca perfeição matemática, busca não ficar sem mercadoria quando o cliente chega e não ficar afogado em estoque quando o fornecedor liga. Com esses dois números bem colocados, a compra deixa de ser adivinhação e passa a ser um procedimento que qualquer pessoa encarregada da loja consegue seguir.

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