Petróleo acima de US$ 100: o que pode acontecer com a gasolina e a inflação na América Latina

Petróleo acima de US$ 100: o que pode acontecer com a gasolina e a inflação na América Latina

Resumo do fato

O petróleo subiu com força. O barril de Brent, a referência de preço na Europa, ganhou mais de 5% e chegou a US$ 107, o mais alto desde maio. O West Texas, a referência dos Estados Unidos, recuperou os US$ 101. A causa é a guerra entre os Estados Unidos e o Irã, sem solução. Os dados são da Expansión e do El País.

A oferta de petróleo também caiu. A Arábia Saudita produziu 6,2 milhões de barris por dia em agosto, a menor de 2026 e 23% menos que em julho. A produção da OPEP caiu 640.000 barris por dia, segundo a Reuters. Os houthis, aliados do Irã, assumiram o porto iemenita de Mocha e ameaçam o Mar Vermelho. A passagem por Ormuz continua restrita e cresceram os ataques a navios petroleiros. O petróleo acumula alta de quase 40% desde o início da guerra.

O que significa

O petróleo é a matéria-prima da gasolina e do diesel: se ele sobe, sobe o custo de transportar tudo. A inflação é a alta geral dos preços. Quando a energia a empurra, os bancos centrais sobem a taxa de juros, o preço de pedir dinheiro emprestado. A economia esfria, mas o crédito fica caro.

Na América Latina o impacto é mais forte, porque a gasolina pesa muito no orçamento das famílias. Veja o Brasil: o dólar se movimentou em torno de 5,10 reais e a bolsa caiu. O governo já gastou cerca de 37.500 milhões de reais em medidas para conter a gasolina, com menos impostos, subsídio ao diesel e a marcha atrás da Petrobras no aumento de 0,19 real por litro.

Um título de dívida é um empréstimo de investidores a um governo. O título de 30 anos do Tesouro dos Estados Unidos chegou a 5,35%, o mais alto desde 2007, e o de 10 anos passou de 4,9%. Isso encarece a dívida.

Os operadores calculam em cerca de 70% a probabilidade de que o Federal Reserve suba sua taxa em 16 de setembro. O Banco Central Europeu já subiu suas taxas em 10 de setembro.

A Julius Baer diz que o medo da escassez contrasta com o funcionamento "surpreendentemente estável" do mercado, porque as reservas mundiais seguem sólidas, e conclui que os preços pagam um "prêmio de risco excepcionalmente elevado", um sobrepreço pelo medo de que falte petróleo. O ING destaca que a China, maior importadora mundial de petróleo, aumentou suas compras, o que pode amplificar qualquer corte de oferta.

O que pode acontecer

Ninguém pode saber o futuro. O que vem a seguir são possibilidades, não previsões.

Cenário um: se o tráfego por Ormuz continuar restrito e os ataques a navios seguirem, o petróleo pode se manter acima de US$ 100. A gasolina continuaria cara e os subsídios custariam mais.

Cenário dois: se a guerra acabar e a passagem por Ormuz e pelo Mar Vermelho se normalizar, a oferta voltaria a fluir. O preço poderia ceder e aliviar a gasolina e a inflação da região.

Cenário três: se o Federal Reserve subir sua taxa em 16 de setembro e a Arábia Saudita mantiver a produção baixa, o dólar poderia se fortalecer e encarecer o petróleo que a região compra.

O que observar

  • O tráfego pelo estreito de Ormuz.
  • A produção mensal da Arábia Saudita.
  • O dado de inflação dos Estados Unidos.
  • A decisão do Federal Reserve de 16 de setembro.
  • As compras de petróleo da China.

Fontes: Expansión, Gestión e El País (Espanha e Peru), Financial Times e Bloomberg (Estados Unidos), Valor Econômico e O Globo (Brasil). 10 de setembro de 2026.

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