Modelo de acordo de sócios em Word (download grátis)

Modelo de acordo de sócios em Word (download grátis)

Quando duas ou mais pessoas decidem montar um negócio, o primeiro documento que costuma ser redigido é o da constituição da sociedade: aquele que cria a empresa, com o nome, o objeto e a contribuição de cada um. Esse documento é indispensável, mas deixa em aberto exatamente as perguntas que depois geram mais discussão: quem decide o quê quando há divergência, quantos votos são necessários para cada tipo de decisão, o que acontece se um sócio quiser vender a sua parte e como alguém sai sem destruir a operação.

O modelo de acordo de sócios em Word que pode ser baixado nesta página cobre justamente essa lacuna. É um modelo editável, com as seções que um acordo desse tipo precisa na prática: aportes e participação, órgãos de governo e maiorias, administração e representação com limites, lucros e prejuízos, venda da participação, confidencialidade e não concorrência, saída de um sócio e solução de divergências.

Neste artigo explicamos o que se resolve aqui que não fica nos documentos de constituição, quais decisões o grupo precisa tomar antes de assinar, como usar o modelo passo a passo e o que revisar antes da assinatura. Tudo foi escrito para um negócio pequeno ou médio, em que os sócios se conhecem, trabalham juntos todos os dias e querem deixar as regras claras antes de realmente precisar delas.

⬇ Baixar acordo de sócios (.docx)

O que é um acordo de sócios e o que se resolve aqui

O documento de constituição responde a uma pergunta: o que é a sociedade e quem a forma. O acordo de sócios responde a outra: como esses sócios vão conviver e como as decisões difíceis serão tomadas. São documentos complementares, não concorrentes. O primeiro é registrado onde for necessário e costuma ter formato mais rígido; o segundo é um acordo entre as partes, assinado apenas por elas, e admite muito mais detalhe sobre o dia a dia do negócio.

Existem três lacunas que o documento de constituição quase nunca preenche bem, e que este acordo enfrenta de frente. Vamos ver cada uma delas, porque são a razão de existir do modelo.

A primeira é quem decide o quê. Na operação diária há decisões que não podem esperar por uma reunião formal: assinar um pedido grande, contratar alguém, tomar um empréstimo, mudar uma linha de produtos ou fechar uma unidade. Se nada disso estiver escrito, a pessoa que administra fica com as mãos atadas; ou, ao contrário, fica com um poder que os outros sócios não esperavam. O acordo resolve isso com dois pontos concretos: limites de valor para a assinatura do dia a dia e uma lista de assuntos que sempre exigem consulta prévia.

A segunda é quanto se exige para cada maioria. Aprovar o orçamento do ano não é a mesma coisa que vender metade do negócio. Definir quais decisões passam com mais da metade, quais exigem uma maioria mais ampla e quais precisam do acordo de todos evita dois males ao mesmo tempo: que um sócio fique preso a uma decisão que não compartilha e que dois grupos com a mesma força se bloqueiem sem saída. A tabela de maiorias é, quase sempre, a parte que os sócios mais valorizam com o tempo.

A terceira é como um sócio sai sem quebrar o negócio. Um sócio pode querer sair por decisão própria, por doença, por aposentadoria, por conflito interno ou por falecimento. Se nada estiver previsto, a saída vira uma negociação de urgência, com o negócio operando pela metade e os fornecedores observando de perto. Com o acordo assinado, a saída segue um caminho conhecido: aviso prévio com antecedência, uma forma combinada de avaliar a participação e um prazo de pagamento razoável para que a empresa não fique sem caixa no mesmo mês.

Vale deixar claro: este acordo não substitui nada do que já está registrado nem muda a forma como a sociedade se apresenta a terceiros. O que ele faz é fixar o trato entre os sócios, com suas regras de decisão e de saída. É um documento de uso interno e o seu alcance exato deve ser revisto com um assessor antes da assinatura.

Para que serve no dia a dia

  • Registrar por escrito a participação de cada sócio, com o seu aporte e a sua fatia, para que ninguém precise discutir depois quem colocou o quê.
  • Definir quem administra, até que valor pode assinar sozinho e em quais casos precisa de autorização dos outros sócios.
  • Fixar quais decisões são aprovadas por maioria simples, quais exigem maioria mais ampla e quais dependem do acordo de todos.
  • Combinar como os lucros são distribuídos e, principalmente, como os prejuízos são cobertos em um ano que não fecha.
  • Estabelecer o direito de preferência: se um sócio quiser vender a sua parte, oferece primeiro aos demais em condições conhecidas.
  • Prever a saída de um sócio com regras de aviso, avaliação e pagamento, e proteger as informações e os clientes do negócio.

O que o modelo inclui

O arquivo traz doze seções numeradas, além de uma tabela de controle e dos avisos finais. Estas são as seções reais do documento e o que vai em cada uma.

Seção do modeloO que se escreve aí
Dados geraisNome do acordo, cidade e data da assinatura, e o código interno do documento.
PartesNome, documento e dados de contato de cada sócio que assina.
Antecedentes e objetoQual é o negócio, desde quando funciona e o que se busca com este acordo.
Aportes e participaçãoTabela com sócio, documento, aporte, tipo de aporte e participação de cada um.
Órgãos de governo e maioriasTabela com a decisão, a maioria exigida e quem decide.
Administração e representaçãoQuem administra, quais poderes tem e até que valor pode comprometer sozinho.
Lucros e prejuízosComo os resultados são distribuídos e como os anos negativos são cobertos.
Venda da participaçãoDireito de preferência dos demais sócios e condições para ceder a parte.
Confidencialidade e não concorrênciaQual informação é protegida, por quanto tempo e qual atividade não pode ser feita ao sair.
Saída de um sócioTabela com a causa, o aviso que o sócio deve dar e o prazo previsto.
Solução de divergênciasO que se faz primeiro quando há desacordo, antes de recorrer a outra instância.
Vigência, alteração e assinaturasQuando entra em vigor, como pode ser alterado e o espaço de assinatura de cada sócio.

Ajuda ver como a tabela de maiorias funciona na prática. Um exemplo típico, que cada grupo ajusta ao seu tamanho e ao seu nível de confiança, é o seguinte.

Tipo de decisãoMaioria que costuma ser exigidaQuem participa
Aprovar o orçamento do anoMais da metade da participaçãoTodos os sócios
Nomear ou substituir quem administraMais da metade da participaçãoTodos os sócios
Tomar empréstimo acima do limite combinadoMaioria ampla, conforme o combinadoTodos os sócios
Vender o negócio ou fundi-lo com outroUnanimidadeTodos os sócios
Mudar o objeto do negócioUnanimidadeTodos os sócios
Ajustes menores de operaçãoQuem administra decide, dentro do limiteSomente a administração

Como usar o modelo passo a passo

  1. Reúna os sócios e preencha primeiro a tabela de aportes e participação. Sem essa parte clara, o restante do acordo fica sem base.
  2. Revise a tabela de órgãos de governo e decida, ponto por ponto, qual maioria é exigida para cada tipo de decisão. Comece pelas cinco ou seis decisões que mais se repetem no seu negócio.
  3. Defina o valor máximo até o qual quem administra pode assinar sem consultar. Esse limite precisa ser realista para o tamanho da operação e deve ser revisto de tempos em tempos.
  4. Escreva as regras de saída: quais causas são aceitas, com quanta antecedência o sócio deve avisar e em que prazo a sua participação é paga.
  5. Complete a seção de confidencialidade e não concorrência com um alcance e um prazo que possam ser cumpridos. Um pacto impossível não protege ninguém.
  6. Substitua o nome da empresa no rodapé e nos cabeçalhos do modelo, e ajuste o código do documento na tabela de controle para que corresponda ao seu arquivo.
  7. Peça a revisão do texto completo a um assessor antes de assinar e corrija os dados das partes, sobretudo os documentos e as participações.
  8. Imprima uma via por sócio, assinem todas, datem cada página e guarde o original junto aos documentos de constituição.

Erros frequentes antes de assinar

  • Deixar a tabela de participação com aportes prometidos e não realizados, ou sem o tipo de aporte de cada sócio.
  • Combinar maiorias que na prática ninguém consegue alcançar, de modo que qualquer decisão acabe bloqueada.
  • Esquecer o limite de valor de quem administra: a assinatura do dia a dia fica sem teto claro e a responsabilidade se dilui.
  • Escrever uma cláusula de não concorrência tão ampla que depois não possa ser exigida nem defendida.
  • Não fixar prazos de pagamento para a saída de um sócio, deixando o negócio sem caixa justamente quando precisa operar.
  • Assinar sem data ou sem uma via por sócio, o que dificulta saber qual versão está em vigor com o passar dos anos.

Quando vale a pena passar para um sistema

Um acordo de sócios funciona melhor quando as regras são poucas, claras e ficam à vista. Enquanto o negócio é pequeno, costuma bastar revê-lo uma vez por ano e consultá-lo quando surge uma decisão grande. Mas chega um momento em que as decisões começam a ser tomadas sem registro: ninguém lembra quem autorizou uma compra, em qual reunião se aprovou uma mudança de preços ou quanto foi pago ao sócio que saiu. É aí que o Kardex Tauro ajuda: mantém registro de movimentos, autorizações e documentos, de modo que as decisões definidas no acordo tenham respaldo e não dependam da memória de ninguém. Ele não substitui o acordo assinado, que continua sendo a regra entre os sócios; apenas faz com que essa regra apareça na operação de todos os dias.

Aviso: este modelo é um guia geral de uso interno e não constitui assessoria jurídica. Revise-o com o seu assessor antes de assinar.

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