Software de Kardex e Estoque

Kardex Tauro

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O Kardex Tauro é gratuito para uso não comercial.
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Balancete de verificação: como montar e como ler

Balancete de verificação: como montar e como ler

Um balancete de verificação que fecha prova apenas uma coisa: que os débitos e os créditos somam igual. Ele não diz se as contas estão bem classificadas, se os números estão corretos nem se o lucro é real. Essa distância explica por que tantas empresas fecham o mês com as colunas iguais e descobrem o problema meses depois, quando o banco pergunta por um saldo ou a DIAN cruza as informações.

Aqui está o documento completo: como montá-lo a partir do razão, quais erros ele detecta e quais deixa passar, como ler cada saldo e quando desconfiar de um fechamento perfeito.

O que é e para que serve antes do fechamento

É uma relação de todas as contas com movimento no período, com o total debitado, o total creditado e o saldo resultante. Sai do livro razão, não do diário, e sua função é de controle: confirmar que o método das partidas dobradas foi respeitado, que nenhum lançamento ficou para trás e que cada conta terminou com saldo coerente com sua natureza.

Serve antes do fechamento por três razões. É o último ponto em que um erro de transcrição ainda é rastreado com facilidade. Permite revisar conta por conta antes de ajustar, para que os ajustes corrijam a realidade e não a diferença. E é a base do balanço patrimonial e da demonstração do resultado: se a base está torta, tudo o que sai dela carrega o erro.

Não é uma demonstração financeira: não se publica, não se assina e não substitui o balanço patrimonial. É um papel de trabalho interno, e seu valor está na revisão, não no arquivo.

As quatro colunas: movimentos e saldos

O formato clássico tem quatro colunas de valores, além do nome da conta. As duas primeiras são de movimento: o que foi debitado e o que foi creditado no período. As duas seguintes são de saldo: o resultado líquido, na coluna que corresponde ao seu sinal.

ColunaO que registraComo é calculadaQual erro revela
Movimento a débitoDébitos lançados na conta no períodoSoma dos débitos do razãoLançamentos incompletos ou não passados ao razão
Movimento a créditoCréditos lançados na conta no períodoSoma dos créditos do razãoO mesmo problema, do lado do crédito
Saldo devedorSaldo quando os débitos superam os créditosDébitos menos créditosAtivo, despesa ou custo com saldo invertido
Saldo credorSaldo quando os créditos superam os débitosCréditos menos débitosPassivo, patrimônio ou receita com saldo invertido
Linha de totaisSoma vertical de cada colunaSoma da colunaDiferença por soma ou por transcrição

Cada conta aparece uma única vez e apenas uma das duas colunas de saldo é preenchida, nunca as duas. Se uma conta tem débitos de 85.700.000 e créditos de 14.000.000, seu saldo é devedor de 71.700.000 e a célula de saldo credor fica vazia. Quando alguém lança o saldo nas duas colunas para que "fique completo", os totais deixam de coincidir mesmo com a contabilidade correta.

Por que débitos e créditos precisam coincidir

Todo lançamento é registrado com o mesmo valor no débito e no crédito. A regra não é enfeite: é a forma como o sistema se autoverifica. Se cada lançamento está equilibrado, a soma dos débitos de todas as contas tem de ser igual à soma dos créditos.

Daí vem a igualdade que se procura: os saldos devedores somam o mesmo que os credores. E vem uma consequência prática: quando as colunas não coincidem, a diferença é erro de registro, quase sempre aritmético ou de transcrição. Não é discussão contábil: é um número digitado errado ou um lançamento sem uma linha.

A igualdade também não diz nada sobre o resultado. Débitos e créditos coincidirem confirma apenas que a mecânica foi respeitada. Uma contabilidade pode fechar no centavo e estar errada em todo o resto.

Quais erros ele detecta e quais não detecta

O balancete detecta os erros que quebram a igualdade e deixa passar todos os que a mantêm. Esses costumam ser os mais caros, porque ninguém os procura.

Um caso que ele detecta: um débito de 800.000 lançado como 80.000. A coluna de débitos fica 720.000 menor, o balancete não fecha e o erro aparece na hora, embora a causa ainda precise ser encontrada.

Um caso que ele não detecta: uma venda de 4.000.000 registrada como 400.000, com o mesmo erro no débito e no crédito. A igualdade se mantém, as colunas fecham e o lucro fica errado em 3.600.000. O balancete não tem como saber: o erro é simétrico.

Tipo de erroDetecta?Por quê
Lançamento com débito e crédito de valores diferentesSimQuebra a igualdade dos movimentos
Número digitado errado em um só lado, 800.000 por 80.000SimA diferença de 720.000 aparece no total
O mesmo número errado nos dois lados, venda de 4.000.000 por 400.000NãoO erro é simétrico e a igualdade se mantém
Lançamento em conta errada da mesma naturezaNãoMove o saldo entre contas sem alterar a soma
Lançamento omitido por completo, com débito e créditoNãoO que não é registrado não desequilibra nada
Lançamento registrado duas vezes, inteiroNãoDuplica igualmente dos dois lados
Erro de soma em uma única colunaSimA diferença aparece no total daquela coluna
Despesa registrada como custo, ou o contrárioNãoAs duas são contas de natureza devedora e a igualdade se mantém

É um filtro de forma, não de conteúdo: serve para descartar, não para confirmar. Depois que fecha, o trabalho real começa nas conciliações.

Como montar a partir do razão

O procedimento tem sete passos. Fechar o diário, sem lançamentos pendentes nem documentos sem registro. Passar tudo ao razão, conta por conta. Somar débitos e créditos de cada conta. Calcular o saldo. Listar as contas com movimento na ordem do plano de contas. Totalizar as quatro colunas. Comparar os dois totais de movimento e os dois de saldo.

O passo mais pulado é o segundo. Quem soma os saldos do diário e apresenta essa soma como balancete perde a função do documento: não comprova que os lançamentos chegaram ao razão, apenas que o diário está equilibrado.

O exemplo usa os seis lançamentos do diário, sem saldos iniciais:

  • 1. Integralização de capital: débito em Banco de 50.000.000 e crédito em Capital de 50.000.000.
  • 2. Compra de mercadoria a prazo: débito em Estoque de 20.000.000 e em IVA a recuperar de 3.800.000; crédito em Fornecedores de 23.800.000.
  • 3. Venda à vista com seu custo: débito em Banco de 35.700.000; crédito em Receita de 30.000.000 e em IVA a recolher de 5.700.000. No mesmo lançamento, débito em Custo das vendas de 18.000.000 e crédito em Estoque de 18.000.000.
  • 4. Pagamento a fornecedores: débito em Fornecedores de 5.000.000 e crédito em Banco de 5.000.000.
  • 5. Pagamento de aluguel: débito em Despesa de aluguel de 3.000.000 e crédito em Banco de 3.000.000.
  • 6. Pagamento de folha: débito em Despesa de folha de pagamento de 6.000.000 e crédito em Banco de 6.000.000.

Depois de passar tudo ao razão, os débitos somam 141.500.000 e os créditos 141.500.000. Os saldos devedores somam 104.500.000 e os credores 104.500.000. A diferença é zero.

ContaDébitosCréditosSaldo devedorSaldo credor
Banco85.700.00014.000.00071.700.000
Estoque20.000.00018.000.0002.000.000
IVA a recuperar3.800.00003.800.000
Custo das vendas18.000.000018.000.000
Despesa de aluguel3.000.00003.000.000
Despesa de folha de pagamento6.000.00006.000.000
Fornecedores5.000.00023.800.00018.800.000
Capital050.000.00050.000.000
Receita030.000.00030.000.000
IVA a recolher05.700.0005.700.000
Totais141.500.000141.500.000104.500.000104.500.000

Confira o Banco à mão, porque é onde os erros se concentram: 50.000.000 mais 35.700.000 de entradas, menos 5.000.000, 3.000.000 e 6.000.000 de saídas, dá 71.700.000. Se não coincidir com o extrato, o problema não está na soma, mas em um movimento que não foi registrado ou foi registrado duas vezes.

Como ler os saldos: o que é normal e o que não é

Cada tipo de conta tem um lado natural. O ativo vive no débito; o passivo e o patrimônio, no crédito; a receita, no crédito; a despesa e o custo, no débito. Enquanto os saldos respeitam essa lógica, o balancete se lê com tranquilidade. Quando não respeitam, existe uma explicação que precisa estar escrita em algum lugar.

Há exceções legítimas. A depreciação acumulada é credora, fica dentro do ativo e reduz; a provisão para devedores duvidosos faz o mesmo com as contas a receber. São contas redutoras, e a presença delas indica critério, não desordem.

Saldos anômalos são outra coisa. Saldo negativo em Banco não é um banco com menos dinheiro: é um cheque especial, que é passivo. Saldo devedor em Fornecedores costuma ser adiantamento mal classificado ou pagamento duplicado. Saldo credor em Clientes é adiantamento recebido, também passivo.

Há um quarto grupo que não aparece no número, mas na ausência dele: contas que deveriam ter movimento e estão zeradas. Um mês com folha paga e despesa de folha em zero é tão grave quanto uma diferença, só que silencioso.

Sinais de alerta em um balancete que fecha

Se as colunas fecham, a revisão não terminou: começou. Estes são os sinais que um contador olha antes de assinar o fechamento.

O primeiro é o IVA colombiano. O IVA gerado deve manter proporção estável com a receita tributada, e o descontável com as compras. No exemplo, 5.700.000 sobre 30.000.000 dá 19%, e 3.800.000 sobre 20.000.000 dá o mesmo. Quando a proporção se rompe, há venda sem nota ou IVA na conta errada.

O segundo são as retenções. Retenção de renda, de IVA e municipal se acumulam como passivo enquanto não são pagas. Saldo que cresce mês a mês sem declaração que o sustente é dívida com a DIAN ou com o governo regional, e um problema de caixa que aparece de uma vez.

O terceiro é a relação entre Banco e extratos. Se o saldo do razão não coincide e a diferença não se explica por cheques em trânsito nem por tarifas, falta um lançamento.

O quarto é o lucro diante do caixa. Empresa que reporta lucro e não tem dinheiro está financiando contas a receber ou estoque. Compare o crescimento das contas a receber com o das vendas.

O quinto é o lançamento redondo. Um débito grande em outras despesas ou em contas a classificar bem na data de corte, sem documento que o sustente, é a forma mais comum de fazer um balancete fechar quando não deveria.

Balancete de oito colunas e ajustes

O de quatro colunas funciona quando o período começa do zero, o que quase nunca acontece: existem saldos iniciais e existem ajustes feitos justamente no fechamento. Para isso serve o formato de oito colunas.

As oito colunas são: saldo inicial a débito e a crédito, movimento do período a débito e a crédito, ajustes a débito e a crédito, e saldo final a débito e a crédito. Cada par é totalizado separadamente, e assim se vê se um saldo vem de meses anteriores.

Os ajustes típicos são quatro: depreciação do período, provisão para devedores duvidosos, apropriação de serviços recebidos e não faturados, e amortização de pagamentos antecipados. Todos são lançados com débito e crédito iguais, de modo que o par de ajustes também precisa fechar sozinho. Diferença que aparece só ali indica ajuste feito sem contrapartida.

A ordem recomendada é: quatro colunas para conferir a mecânica, revisão dos saldos anômalos, ajustes documentados, oito colunas e, só então, as demonstrações financeiras. Pular o primeiro passo termina em um ajuste que esconde o sintoma sem resolver a causa.

Do balancete às demonstrações financeiras

O balancete não é entregue a ninguém. O que se entrega é o balanço patrimonial e a demonstração do resultado, ambos montados a partir dele com uma classificação adicional: ativo, passivo e patrimônio no primeiro; receitas, despesas e custos no segundo.

Com os números do exemplo a conversão é direta. O lucro é 30.000.000 de receita menos 18.000.000 de custo das vendas, menos 3.000.000 de aluguel e menos 6.000.000 de folha: 3.000.000. O ativo é 71.700.000 em Banco, mais 2.000.000 em Estoque, mais 3.800.000 de IVA a recuperar: 77.500.000. O passivo é 18.800.000 em Fornecedores mais 5.700.000 de IVA a recolher: 24.500.000. O patrimônio é 50.000.000 de Capital mais 3.000.000 de lucro: 53.000.000. Passivo mais patrimônio dá 77.500.000, igual ao ativo.

Essa segunda conferência é mais exigente, porque obriga a classificar e decidir. Um balancete que fecha pode gerar um balanço que não fecha se alguma conta foi para o grupo errado.

De quanto em quanto tempo convém emitir

Uma vez por mês é o mínimo razoável, e sempre antes de fechar: emitido depois das demonstrações, deixa de ser controle e passa a ser arquivo. Com volume alto de notas, compras e pagamentos, convém toda semana. Não deveria faltar antes da declaração de IVA, antes de pedir crédito nem no fechamento do ano. O ideal é que alguém diferente de quem lançou revise: quem digitou um erro tem o olho treinado para não vê-lo.

Erros frequentes

Os cinco erros mais repetidos têm algo em comum: todos produzem um documento que fecha e nenhum produz um documento útil.

Usar o balancete como demonstração financeira deixa de fora a classificação entre circulante e não circulante. Deixar contas com saldo invertido esconde passivos e distorce o ativo. Somar saldos sem passar o diário ao razão produz lucro inflado. Fechar com ajuste cego esconde a diferença e apaga o rastro. E não revisar IVA nem retenções termina em multas e juros.

ErroSintomaConsequênciaCorreção
Usar o balancete como demonstração financeiraÉ enviado a um banco ou a um sócio como se fosse o balanço patrimonialFaltam classificações e divulgações; decide-se com dados incompletosDerivar dele o balanço patrimonial e a demonstração do resultado
Deixar contas com saldo invertido sem explicaçãoFornecedores com saldo devedor ou Banco negativoPassivos e ativos mal apresentados; o IVA fica erradoInvestigar cada saldo anômalo antes de fechar
Somar saldos sem passar todo o diário ao razãoO diário soma mais que o razãoReceitas ou despesas são omitidas e o lucro sai erradoConciliar o total do diário com o do razão
Fechar com um ajuste cegoLançamento redondo contra outras ou a classificarO erro é encoberto e o rastro se perdeBuscar a diferença por conta e documentar o ajuste
Não revisar IVA nem retenções antes de fecharSaldos que crescem mês a mês sem explicaçãoMultas, juros e problemas de fluxo de caixaConciliar com declarações e comprovantes

Encerramento honesto antes de confiar no fechamento

O balancete é um controle, não um resultado. Na melhor versão, obriga a olhar conta por conta e a perguntar por que um saldo se comporta assim. Na pior, é burocracia feita para poder dizer que a contabilidade está em dia.

Há casos em que acrescenta pouco. Se a empresa tem poucas operações, o razão já é curto e o balancete acrescenta pouco além de uma soma. Se o plano de contas está mal desenhado, ele vai fechar e ainda assim não dizer nada útil. E se o problema é de fundo, como receita não apropriada, estoque sem contagem ou carteira sem depuração, nenhuma coluna vai revelar.

Por isso o passo seguinte nunca é assinar: é conciliar com o extrato bancário, com a nota fiscal eletrônica, com os comprovantes de retenção e com a contagem física. É esse cruzamento que transforma um documento fechado em contabilidade confiável. Um software de estoque e faturamento como o Kardex Tauro ajuda nessa parte, porque o movimento de armazém, a nota e o lançamento saem do mesmo registro.

Antes de dar o mês por fechado, escolha três contas ao acaso e explique cada saldo com um documento. Se conseguir, o balancete está bom. Se não conseguir com três, o problema nunca foi a soma.

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