O que é um inventário de produtos em processo?

O que é um inventário de produtos em processo?

Se a sua empresa fabrica o que vende, o seu armazém guarda três tipos muito diferentes de inventário. O primeiro é fácil de reconhecer: são as matérias-primas que ainda não foram tocadas, paradas nas prateleiras ou na área de recebimento. O segundo também é fácil: são os produtos acabados, embalados e prontos para serem entregues ao cliente. Mas entre um e outro existe uma terceira categoria que muitas pequenas fábricas não medem, não valorizam e, por isso, não controlam: o inventário de produtos em processo. Neste artigo, explicamos o que ele é, por que se forma, quanto vale e como você pode controlá-lo com um programa de estoques como o Kardex Tauro, sem folhas soltas nem cadernos.

O que é exatamente o inventário de produtos em processo

O inventário de produtos em processo, também chamado de trabalho em processo ou WIP pela sigla em inglês (work in process), é formado por todos os materiais que já iniciaram a sua transformação, mas ainda não se tornaram um produto acabado pronto para a venda.

Um produto entra nessa categoria no momento em que sai do armazém de matérias-primas e começa a ser trabalhado: quando é cortado, misturado, montado, costurado, assado ou pintado. A partir desse instante, ele deixa de ser matéria-prima, mas ainda não é produto acabado — e essa situação intermediária é justamente a mais difícil de controlar nas pequenas empresas.

Do ponto de vista contábil, o inventário em processo inclui três componentes: o custo da matéria-prima consumida, a mão de obra direta aplicada e os custos indiretos de fabricação associados, como energia, manutenção ou aluguel da oficina. Isso significa que, enquanto uma ordem de produção permanece aberta, há dinheiro da empresa "estacionado" na área de produção, e esse dinheiro precisa ser identificável, mensurável e justificável.

Um exemplo para entender melhor

Imagine uma marcenaria que fabrica cadeiras de madeira. No seu armazém há tábuas, pregos, cola e verniz: isso é matéria-prima. Na área de expedição há cadeiras acabadas, lixadas e envernizadas, prontas para entregar: isso é produto acabado. Mas no chão de fábrica há tábuas já cortadas no tamanho certo, armações montadas pela metade e pernas aguardando lixamento, cada uma esperando o próximo passo. Esse lote de cadeiras incompletas é, nem mais nem menos, o inventário de produtos em processo da empresa.

O detalhe fundamental é que esse lote não está "perdido" nem "no ar": ele pertence a uma ordem de produção específica, que informa quantas cadeiras estão sendo fabricadas, em que etapa estão e quais materiais foram aplicados. Se a marcenaria não registrar essas etapas, o seu dono verá apenas uma quantidade de madeira no estoque que não confere com o que existe de fato no armazém, e não saberá se a diferença é material em meio ao trabalho, sobra ou até perda.

Os três inventários de uma empresa manufatureira

Para situar o inventário em processo no quadro completo, vale a pena ver os três tipos lado a lado:

InventárioO que éExemploComo é controlado
Matéria-primaInsumos comprados que ainda não foram transformados.Tábuas, pregos, cola e verniz no armazém.Registra-se a entrada pela compra e a saída quando a oficina retira o material.
Produtos em processoMateriais que já iniciaram a transformação e receberam mão de obra e outros custos.Cadeiras cortadas, montadas pela metade ou em pleno envernizamento.Cada consumo de matéria-prima é vinculado a uma ordem de produção aberta e o seu valor fica associado a essa ordem.
Produto acabadoBens concluídos, prontos para vender ou despachar.Cadeiras acabadas e embaladas na área de expedição.Registra-se a entrada no estoque quando a produção é recebida da ordem.

A matéria-prima e o produto acabado têm documentos claros que os respaldam: a compra e a venda. O produto em processo, por sua vez, só pode ser respaldado pela ordem de produção e pelos consumos de material lançados nela. Por isso, na prática, é o elo mais negligenciado nas pequenas empresas manufatureiras.

Quanto vale o inventário em processo?

Valorizar o trabalho em processo é mais simples do que parece quando se faz por ordem de produção. Suponha que uma fábrica de móveis abra uma ordem para produzir 50 escrivaninhas. Os materiais lançados nessa ordem, entre chapas, ferragens e tinta, somam 2.500.000. A mão de obra direta da semana acrescenta 900.000, e os custos indiretos estimados (energia, manutenção da máquina, aluguel proporcional) chegam a 350.000. O custo acumulado do inventário em processo é então de 3.750.000, e esse valor permanece associado à ordem até que as escrivaninhas sejam concluídas e recebidas no armazém de produtos acabados.

Esse exercício traz dois benefícios. Primeiro, permite saber quanto capital está imobilizado na produção em um determinado momento, algo crítico para uma pequena empresa, em que o caixa é escasso. Segundo, evita a distorção de custos: se a matéria-prima fosse registrada apenas na compra, os resultados mostrariam lucros enganosos nos meses sem produção e perdas artificiais nos meses de grande atividade.

O ciclo completo: como o trabalho em processo nasce e se encerra

Em um sistema organizado, o inventário em processo segue um ciclo de quatro etapas:

  1. Cria-se a ordem de produção indicando qual produto será fabricado e em qual quantidade.
  2. Com a ordem aberta, cada saída de matéria-prima para o chão de fábrica é registrada como um consumo vinculado àquela ordem específica; o consumo baixa as existências do armazém.
  3. Enquanto a ordem não for encerrada, o valor dos materiais consumidos, mais a mão de obra e os custos indiretos, constitui o inventário em processo da empresa.
  4. Ao finalizar a ordem, o recebimento do produto acabado é habilitado; ele entra no armazém e fica disponível para a venda, encerrando o ciclo.

Erros comuns ao lidar com o inventário em processo

  • Não abrir nenhuma ordem de produção: a oficina retira material sem deixar registro de para que serve nem para qual lote.
  • Registrar os consumos de forma genérica, sem vinculá-los à ordem que os originou, o que impede saber quanto cada lote realmente custa.
  • Tratar como acabado um produto que ainda está em processo, inflando o estoque de produtos acabados e mostrando existências que não existem.
  • Esquecer o inventário em processo na hora de avaliar a empresa ou pedir crédito, deixando de fora capital real que está trabalhando no chão de fábrica.
  • Conciliar o estoque apenas uma vez por ano, quando os desvios já são impossíveis de rastrear.

Como o Kardex Tauro apoia o controle do inventário em processo

O Kardex Tauro é um programa de estoques feito para pequenas empresas, de até 50 funcionários, que fabricam, transformam ou montam produtos e precisam de controle sem complicações. Diante do inventário em processo, o programa não exige avaliações de engenharia complexas: pede apenas que você trabalhe com ordem e oferece as ferramentas para isso.

Ao criar uma Ordem de Produção, o sistema entende que essa ordem aberta representa trabalho em processo. Os consumos de matérias-primas registrados enquanto a ordem está aberta ficam vinculados àquela ordem específica: o programa sabe qual material saiu do armazém, em qual quantidade e para qual produção. A janela Consumos de Armazém registra essa saída e baixa automaticamente as existências, e o kardex de cada produto fica com o seu movimento correspondente.

Quando a ordem é finalizada, o recebimento do produto acabado é habilitado. O produto fabricado entra no estoque como uma entrada, o kardex registra essa entrada e a ordem deixa de representar material em processo para se tornar produto acabado disponível para a venda. Todo o percurso — saída da matéria-prima, acumulação na ordem e entrada do produto acabado — fica documentado e consultável, sem depender da memória de ninguém.

Conclusão

O inventário de produtos em processo não é um conceito de livro-texto: é o dinheiro da sua empresa trabalhando no chão de fábrica. Se você não sabe quanto material está em meio à transformação, nem a qual ordem pertence, também não sabe quanto custa produzir, quanto realmente tem ou quanto pode vender. A solução não é mais um formulário pregado na parede, mas um registro sistemático por ordens de produção, como o que o Kardex Tauro coloca ao alcance de uma pequena empresa sem exigir um departamento contábil sofisticado.

Se o seu negócio fabrica, monta ou transforma produtos, experimente o Kardex Tauro com a primeira ordem de produção que abrir: você verá a matéria-prima sair do armazém, o trabalho em processo ficar identificado e o produto acabado chegar ao estoque, tudo com um rastro claro no kardex. Esse é o primeiro passo para produzir conhecendo de verdade os seus custos e o seu inventário.

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