Modelo de relatório de acidente de trabalho em Word (download grátis)

Modelo de relatório de acidente de trabalho em Word (download grátis)

Nenhuma empresa quer ter de preencher um relatório de acidente de trabalho, mas quando o episódio acontece no local de trabalho, esse documento é a diferença entre uma investigação organizada e um processo cheio de lacunas. O modelo que você pode baixar nesta página reúne em um único arquivo os dados que, na prática, acabam espalhados entre anotações no celular, mensagens e a memória de quem estava por perto.

Ele foi pensado para chefes de depósito, supervisores de fábrica, coordenadores de segurança e saúde do trabalho e também para a área de recursos humanos que recebe o caso na manhã seguinte. Não exige sistema especial nem conhecimento técnico: abre-se no Word, preenche-se com o que se sabe naquele momento e assina-se no mesmo dia, enquanto a informação ainda está fresca.

Ao longo deste artigo mostramos o que contém cada seção do arquivo, em que ordem vale a pena preenchê-lo, quais erros aparecem quase sempre quando se escreve com pressa e em que ponto começa a compensar dar o salto para um registro digital. O objetivo não é mais uma folha de papel: é deixar um relato que ainda faça sentido seis meses depois, quando ninguém lembra dos detalhes com precisão.

⬇ Baixar relatório de acidente de trabalho (.docx)

O que é um relatório de acidente de trabalho

É o documento interno em que a empresa registra um episódio ocorrido durante a jornada: o que aconteceu, onde, quando, quem foi afetado e o que foi feito imediatamente. Não é um resumo para o arquivo morto. É o insumo com o qual se investiga a causa, se define uma ação corretiva e se demonstra, numa revisão interna ou numa auditoria, que a empresa agiu com cuidado.

Vale separar três situações que o arquivo trata no mesmo campo. O acidente produz lesão ou dano à saúde. O incidente gera dano material ou interrupção do processo, mas sem lesão. O quase acidente não produz dano algum, embora pudesse produzir. Registrar os três casos é boa prática, porque os quase acidentes são avisos gratuitos: mostram onde está o risco antes que alguém se machuque.

O registro também tem valor organizacional. Um relatório bem escrito permite comparar episódios entre áreas, identificar padrões (a mesma máquina, o mesmo turno, a mesma tarefa) e justificar investimentos em equipamento de proteção ou em melhorias de infraestrutura com fatos, e não com impressões. Quando o relatório é sempre preenchido do mesmo jeito, com as mesmas seções na mesma ordem, os dados começam a falar sozinhos: aparece a tarefa repetida, o turno com mais ocorrências, o equipamento que ninguém revisou.

Há ainda um valor humano que é fácil esquecer. A pessoa lesionada normalmente volta ao mesmo posto, e o relatório é a prova de que o caso dela foi levado a sério. Um documento preenchido com cuidado, que reconhece o fato e fecha com uma ação concreta, transmite uma mensagem diferente da de um formulário preenchido às pressas só porque alguém exigiu.

Para que serve

  • Registrar por escrito o episódio no mesmo dia, enquanto os detalhes ainda são confiáveis.
  • Iniciar a investigação de causas a partir de uma base organizada, e não de versões soltas.
  • Documentar o atendimento prestado ao trabalhador: primeiros socorros, remoção e acompanhamento posterior.
  • Definir ações corretivas com responsável e prazo, e verificar depois se foram cumpridas.
  • Sustentar, diante da área de segurança e saúde do trabalho, a necessidade de mudanças no posto, na ferramenta ou no processo.
  • Construir um histórico que permita comparar períodos e identificar áreas ou tarefas de maior risco.

O que o modelo inclui

O arquivo segue a ordem em que os fatos acontecem, para que ninguém precise pular entre páginas enquanto atende a emergência. Cada seção reserva espaço suficiente para escrever à mão, caso seja necessário preencher no local e passar a limpo depois.

SeçãoO que se escreve ali
1. Dados do trabalhadorNome, documento, cargo, área ou processo, tipo de vínculo e o turno em que ocorreu o episódio.
2. Dados do eventoData, hora, local exato, tipo de evento (acidente, incidente ou quase acidente), tarefa realizada e equipamento ou ferramenta envolvida.
3. Descrição do ocorridoRelato em ordem cronológica, apenas fatos observáveis, sem adjetivos e sem conclusões antecipadas.
4. TestemunhasTabela com nome, cargo e contato de quem viu ou atendeu o evento, além do que cada um contribuiu.
5. Lesões e atendimento recebidoParte do corpo afetada, gravidade aparente, atendimento prestado, remoção e dias de afastamento, se houver.
6. Ações imediatas e causasQuatro pontos numerados que separam o que foi feito de imediato e as causas imediata e básica identificadas.
7. AcompanhamentoTabela de ação, responsável e prazo para encerrar cada medida corretiva.
AssinaturasQuem registra, uma testemunha e o gestor imediato ou o responsável de segurança e saúde do trabalho.

O que reunir antes de começar a preencher

A prática mostra que o relatório fica mal preenchido quando falta um dado e alguém decide completar de memória. Antes de abrir o arquivo, reúna o básico:

  • Os dados pessoais e do cargo do trabalhador, obtidos com recursos humanos, e não com o supervisor.
  • A hora exata do episódio e o ponto preciso dentro da instalação ou ao longo da rota.
  • O nome e o contato de quem viu o ocorrido ou prestou o atendimento inicial.
  • A descrição do equipamento, da ferramenta ou do veículo envolvido, com sua identificação interna.
  • O comprovante de atendimento, se houve, e a indicação de dias de afastamento dada pelo profissional de saúde.
  • Fotografias do local, tiradas antes de mover qualquer elemento, porque uma imagem bem feita economiza parágrafos.

Como usar passo a passo

  1. Atendimento primeiro. Torne a cena segura, preste o atendimento médico necessário e afaste as pessoas do perigo. O relatório é preenchido depois que ninguém está em risco.
  2. Baixe o arquivo e guarde-o na pasta de segurança e saúde do trabalho da empresa, com uma cópia na nuvem.
  3. Substitua o nome da empresa e os dados do cabeçalho e do rodapé; o arquivo vem com campos genéricos que devem levar a identidade real da sua operação.
  4. Atribua o código interno que a sua empresa usa para os documentos de segurança e saúde do trabalho e anote-o na tabela de controle, junto com a versão e a data.
  5. Complete os dados do trabalhador com a informação da área de recursos humanos.
  6. Escreva a descrição com horários e fatos: o que a pessoa fazia, com qual equipamento, o que se moveu, o que fez barulho, quem viu. Use frases curtas e evite adjetivos.
  7. Registre o atendimento recebido e os dias de afastamento indicados, sem interpretar diagnósticos nem antecipar conclusões médicas.
  8. Defina o acompanhamento com responsável e prazo, recolha as assinaturas e envie uma cópia para a segurança e saúde do trabalho e outra para o gestor da área.

Causa imediata e causa básica: como diferenciá-las

A seção de causas é a que costuma ser respondida com menos cuidado, e é justamente a que impede que o episódio se repita. A causa imediata é o fato concreto que estava logo antes do dano; a causa básica é a condição de fundo que permitiu esse fato. Uma não substitui a outra, e sempre existe mais de uma de cada.

SituaçãoCausa imediataCausa básica provável
Queda de um trabalhador de uma plataformaA superfície estava molhada e a pessoa usava calçado gasto.Não havia rotina de inspeção do calçado nem horário definido de limpeza da área.
Batida com uma caixa durante o descarregamentoA caixa se deslocou ao cortar a cinta.A carga não vinha amarrada e ninguém havia definido o método de abertura.
Corte com ferramenta manualA ferramenta escorregou sobre o material.O equipamento não recebia manutenção e a tarefa era feita sem luva adequada.
Atropelamento leve no pátioA pessoa atravessou atrás do veículo em marcha a ré.O pátio não tinha rotas demarcadas nem pontos de travessia definidos.

Erros frequentes antes de assinar

  • Escrever conclusões antes dos fatos: dizer que o trabalhador foi imprudente em vez de contar o que ele fez e em que condições fez.
  • Deixar o local do episódio vago. Depósito central não serve; é preciso o corredor, a estante, a máquina ou o quilômetro da rota.
  • Deixar as testemunhas de fora para não interromper o turno. Um mês depois elas já não vão lembrar o que viram.
  • Misturar o relato do trabalhador com o do supervisor sem indicar quem disse o quê.
  • Prometer ações corretivas sem responsável e sem prazo, que é a forma mais comum de que nunca sejam executadas.
  • Preencher o relatório dias depois, quando os detalhes são reconstruídos por conversa e não pela memória.

Quando vale a pena migrar para um sistema

O modelo resolve o episódio isolado, mas conforme a operação cresce o papel começa a pesar. Se os seus relatórios já estão em três pastas diferentes, se você não consegue dizer quantos episódios houve neste ano por área, ou se depende de uma pessoa lembrar onde ficou o arquivo, o registro manual está virando um risco por si só. É aí que um sistema ajuda: não para substituir o relatório, mas para manter o evento, a ação corretiva e o seu vencimento no mesmo lugar, e para avisar quando algo fica em aberto. O Kardex Tauro é uma opção para esse passo, sobretudo se a sua operação já controla estoque, ativos e pessoal em um único sistema e você quer que os eventos de segurança deixem de viver em pastas separadas.

Aviso importante

Este modelo é um guia geral de uso interno: revise-o com o seu assessor e adapte-o à sua operação e aos requisitos aplicáveis no seu país antes de adotá-lo como formulário oficial. Ele não substitui a assessoria jurídica nem a avaliação de um profissional de segurança e saúde do trabalho. O relatório interno também não substitui a comunicação devida à autoridade competente e, muito menos, o atendimento médico: essa comunicação segue o seu próprio canal e os prazos exigidos em cada país. A orientação prática é simples: registre no mesmo dia, atenda a pessoa primeiro e complete o documento enquanto os fatos estão frescos.

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