Software de Kardex e Estoque

Kardex Tauro

O software de gestão de estoque Kardex Tauro® foi projetado para gerenciar seu armazém ou depósito de forma eficiente e pode ser aprendido em um curto período de tempo.

O Kardex Tauro é gratuito para uso não comercial.
Não requer conexão com a internet e funciona no Windows.

Modelo de provisões no Excel: carteira e estoque

Modelo de provisões no Excel: carteira e estoque

Quando a carteira envelhece e o estoque fica parado no depósito, aparece a pergunta incômoda: quanto disso vai realmente ser recebido? Manter todos os saldos pelo valor cheio no papel infla o resultado do período e guarda uma surpresa para o dia em que o cliente não paga ou o produto deixa de girar. A provisão existe justamente para isso: para registrar uma estimativa razoável daquilo que provavelmente não será recuperado.

Este modelo de provisões no Excel reúne em um só arquivo as duas planilhas necessárias para essa tarefa: a de carteira de dudoso recebimento, com seus dias de atraso e seu percentual, e a de estoque com obsolescência, medida em meses sem movimento. As duas vêm com as colunas prontas, as fórmulas de cálculo, a linha de totais e um bloco de resumo que mostra quanto somou a provisão do período e quanto precisa ser ajustado em relação ao que já estava registrado.

⬇ Baixar o modelo (Excel .xlsx)

O que é exatamente uma provisão e o que ela não é

Vale começar esclarecendo o mal-entendido mais comum. Uma provisão é uma estimativa: o reconhecimento prudente de que parte do saldo a receber ou do estoque provavelmente não se transformará em dinheiro. Não é um pagamento, porque nenhum dinheiro sai do caixa naquele momento, e também não é uma dívida, porque ninguém pode exigir a sua cobrança. É, simplesmente, a forma de fazer os números do período ficarem mais próximos da realidade, em vez de mostrarem o valor nominal completo como se tudo fosse ser recuperado.

Dessa natureza de estimativa decorrem três consequências que organizam todo o formato. A primeira é que o percentual aplicado não é um dado fixo: é uma política do negócio, e por isso fica em uma célula editável que não vem preenchida. A segunda é que a provisão muda de um período para outro, porque o saldo muda e porque o critério pode ficar mais rígido ou mais brando conforme o comportamento da carteira ou do depósito. A terceira, e talvez a mais importante, é que provisionar não apaga o direito de receber: o cliente continua devendo exatamente o mesmo e o produto continua na prateleira, disponíveis para serem recebidos ou vendidos se a situação melhorar.

Por que o percentual é digitado e não calculado sozinho

Se a planilha trouxesse um percentual embutido, estaria decidindo pelo negócio algo que só o negócio pode decidir. Receber em trinta dias não é o mesmo que receber em noventa, e uma peça parada há um ano não é igual a uma parada há quatro meses. Cada empresa, e às vezes cada linha, tem o seu próprio critério. Por isso a coluna aparece vazia, formatada como percentual e pronta para ser preenchida, enquanto o formato apenas multiplica o saldo pelo que for digitado. Assim a estimativa fica nas mãos de quem conhece o negócio, e não nas mãos de quem montou o modelo.

A mesma lógica vale para a planilha de estoque, em que o percentual se apoia nos meses sem movimento. A obsolescência não é uma data exata, é uma tendência: quanto mais tempo o produto fica sem sair, maior a chance de que não seja mais vendido pelo custo pelo qual está valorizado.

Para quem foi pensado

Serve para quem cuida da contabilidade de uma empresa pequena e fecha mês a mês: o contador do escritório, o assistente administrativo, o dono que confere os números pessoalmente. Serve também para quem administra a carteira e precisa ver em uma única planilha quais clientes estão há mais tempo em atraso e quanto representam. E serve para quem cuida do depósito, porque estoque parado é dinheiro dormindo e o formato ajuda a colocar um número nisso.

Não é preciso ser especialista em planilhas. Basta digitar saldos, datas e percentuais; o resto fica por conta das fórmulas, e o arquivo pode ser guardado e reutilizado todos os meses trocando os dados.

O que o arquivo traz, planilha por planilha

PlanilhaO que traz
CarteiraCem linhas para documentos a receber, com cliente, documento, vencimento e saldo.
CarteiraPercentual editável, provisão calculada, provisão anterior e ajuste do período.
CarteiraDias de atraso e provisão calculados sozinhos, linha de totais e resumo do período.
EstoqueCem linhas de produto com quantidade, custo unitário e valor.
EstoqueMeses sem movimento, percentual editável, provisão calculada, totais e resumo.
As duasCélulas de entrada em branco e nenhum percentual preenchido de fábrica.
As duasFormato cinza de escritório, sem cores, pronto para imprimir.

As colunas da carteira e do estoque

PlanilhaColunaPara que serve
CarteiraClienteO terceiro que deve; escreva sempre do mesmo jeito para não dividir o saldo.
CarteiraDocumentoA referência da fatura que originou o saldo.
CarteiraVencimentoA data em que o saldo deveria ter sido pago; dela saem os dias de atraso.
CarteiraSaldoO valor pendente de recebimento na data do fechamento.
CarteiraDias de atraso (automática)A diferença entre hoje e o vencimento; se ainda não venceu, mostra zero.
CarteiraPercentual (editável)O critério da política para aquela linha; é digitado.
CarteiraProvisão calculada (automática)O saldo multiplicado pelo percentual.
CarteiraProvisão anteriorO que já estava registrado por aquela linha no fechamento anterior.
CarteiraAjuste do período (automática)O calculado menos o anterior.
EstoqueCódigoA referência interna do produto.
EstoqueProdutoO nome do item.
EstoqueQuantidadeAs unidades no depósito no fechamento.
EstoqueCusto unitárioO custo pelo qual está valorizado.
EstoqueValor (automática)Quantidade vezes custo unitário.
EstoqueMeses sem movimentoOs meses sem sair; é aqui que a obsolescência aparece.
EstoquePercentual (editável)O critério da política para esse produto.
EstoqueProvisão calculada (automática)O valor multiplicado pelo percentual da linha.

Como o cálculo funciona, com números

Vamos ver a planilha de carteira em um fechamento de exemplo. O cliente A deve 1.000.000 com vinte dias de atraso e a política aplica um por cento, então a linha calcula 10.000. O cliente B deve 800.000, também a um por cento, o que dá 8.000. O cliente C carrega 600.000 vencidos há oitenta e seis dias e, pela idade, entra na faixa de cinco por cento: 30.000. O cliente E deve 300.000 vencidos há cento e quarenta e sete dias e, por ser a faixa mais antiga, é provisionado a vinte por cento: 60.000.

ClienteSaldoDias de atrasoPercentual em palavrasProvisão
A1.000.00020um por cento10.000
B800.00015um por cento8.000
C600.00086cinco por cento30.000
E300.000147vinte por cento60.000
Total2.700.000108.000

A carteira provisionável soma 2.700.000 e a provisão calculada no fechamento chega a 108.000. Agora entra em cena o dado que quase ninguém lembra: a provisão anterior. Se no fechamento anterior já havia 90.000 registrados por essas mesmas linhas, o ajuste do período não é 108.000, e sim 18.000, porque a única coisa que precisa mudar neste mês é a diferença. Se a provisão anterior fosse maior que a calculada, o ajuste seria negativo e indicaria uma liberação, ou seja, uma estimativa que saiu mais pessimista do que o necessário.

A planilha de estoque funciona do mesmo jeito, mas o sinal de risco são os meses sem movimento. Um lote de vinte e cinco pacotes de resmas valorizado em 300.000 estava há catorze meses sem sair e é provisionado a vinte por cento, o que dá 60.000. Sessenta pastas valorizadas em 210.000 estão paradas há nove meses e entram a dez por cento, ou seja, 21.000.

ProdutoValorMeses sem movimentoPercentual em palavrasProvisão
Resmas300.00014vinte por cento60.000
Pastas210.0009dez por cento21.000
Total510.00081.000

Com essas duas planilhas, a provisão do período fica composta por 108.000 de carteira e 81.000 de estoque, cada uma com o seu ajuste calculado separadamente contra a provisão anterior da própria planilha.

Passo a passo para usar

  1. Abra a planilha de carteira e registre, linha por linha, o cliente, o documento, o vencimento e o saldo em aberto de cada fatura que continue pendente na data de fechamento.
  2. Olhe a coluna de dias de atraso: ela é calculada sozinha com a data de hoje e o vencimento. Verifique se nenhuma linha ficou sem a data de vencimento, porque sem esse dado não há como medir a idade.
  3. Digite na coluna de percentual a política que corresponde a cada faixa ou a cada cliente. Lembre-se de que é uma célula editável: o modelo não a preenche porque essa decisão é do negócio.
  4. Revise a provisão calculada de cada linha e compare com o critério aplicado. Se um saldo grande ficou na faixa mais nova, vale perguntar se o critério é o correto.
  5. Digite na coluna de provisão anterior o valor que já estava registrado por essas mesmas linhas no fechamento anterior. Daí sai o ajuste do período, que é o número que realmente movimenta o mês.
  6. Repita o exercício na planilha de estoque com os produtos contados, o seu valor e os seus meses sem movimento, e feche com os dois resumos à mão para revisar o efeito total do período.

Dicas e erros comuns

  • Não confunda a provisão com a baixa. Estimar o que provavelmente não será recuperado é uma coisa; dar baixa no saldo é outra bem diferente. A baixa é decidida à parte e com o seu próprio comprovante.
  • Escreva sempre o nome do terceiro do mesmo jeito. Se a mesma empresa aparecer com dois nomes diferentes, será lida como dois clientes e os totais por linha se dividirão na análise.
  • Deixe rastro do critério. Se neste mês um percentual subiu, anote no campo de observações por que isso foi feito. Provisão sem explicação é difícil de defender depois.
  • Cuide da data de fechamento. Os dias de atraso dependem da data de hoje, então o arquivo se move sozinho com o passar do tempo. Guarde uma cópia por mês para conservar o cálculo como ficou.
  • Não provisione o total da carteira como se tudo estivesse vencido. Saldos em dia raramente precisam de provisão e penalizá-los distorce o resultado do período.
  • Revise a provisão anterior célula por célula. Se o ajuste sair enorme e sem explicação, o mais provável é que o número do fechamento anterior esteja copiado errado ou pertença a outro conjunto de documentos.
  • Lembre-se da natureza da ferramenta. Este formato é de controle interno e serve de apoio para organizar a estimativa; não substitui nenhum registro ou documento oficial.

Quando vale a pena passar para um software

O modelo funciona bem enquanto o volume é razoável e o fechamento é mensal. Quando a carteira passa de algumas centenas de documentos, ou quando várias pessoas registram recebimentos ao mesmo tempo, manter o arquivo em dia vira um trabalho por si só. É aí que o controle se ressente: aparecem cópias paralelas, alguém digita um pagamento na versão errada e a provisão do mês acaba calculada sobre dados que já não são os reais.

Um sistema que carrega a carteira e o estoque como parte da operação diária evita esse desgaste, porque a informação se atualiza sozinha a cada movimento e a estimativa é calculada sobre dados sempre em dia. O Kardex Tauro aponta exatamente para isso: reúne a carteira, o estoque e o registro contábil em um mesmo lugar, de modo que na hora do fechamento a provisão seja uma consulta e não uma reconstrução. Enquanto isso, este modelo cumpre bem o seu papel de controle interno e ajuda a aprender a olhar a carteira e o depósito com critério.

No fim, a pergunta que o formato responde não é contábil, e sim de negócio: de tudo o que lhe devem e de tudo o que está guardado, quanto realmente se espera recuperar? Escrever isso, revisar todos os meses e comparar com o que já estava registrado é o que transforma um saldo em uma decisão.

⬇ Baixar o modelo (Excel .xlsx)
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