Modelo de custo de produção e vendas no Excel

Modelo de custo de produção e vendas no Excel
Num negócio que compra e revende, o custo do que foi vendido quase se lê na fatura do fornecedor. Num negócio que transforma matéria-prima, não: o que foi comprado não é o que foi consumido, porque uma parte ficou no estoque, e o que foi fabricado também não é o que foi vendido, porque há produtos acabados esperando comprador. É nessa diferença que vive o custo de produção e vendas.
Este modelo de custo de produção e vendas no Excel monta todo o percurso numa única planilha de linhas fixas: matérias-primas, mão de obra direta, custos indiretos, custo de produção do período e custo de produção e vendas, com as células calculadas já resolvidas e uma conferência final contra o custo das vendas da demonstração do resultado.
⬇ Baixar o modelo (Excel .xlsx)O que é o custo de produção e vendas
É o demonstrativo que explica como se formou o custo do que foi vendido no período. Não é um relatório de estoque nem uma lista de compras: é a ponte entre o que entrou no almoxarifado, o que foi transformado na fábrica e o que saiu para a venda. Seu último total é um único número, e esse número tem um destino exato: a linha de custo das vendas da demonstração do resultado.
Precisa dele qualquer negócio que fabrique ou transforme: padarias, confecções, fábricas de móveis, indústrias de alimentos, gráficas. Também precisa o comércio que embala ou mistura produtos antes de vender, porque aí comprar e vender deixam de ser o mesmo movimento. Serve para três coisas práticas: avaliar bem o estoque final, saber se o preço de venda cobre o custo de fabricar e enxergar cedo as diferenças entre o que diz o estoque e o que diz a contabilidade.
O percurso do custo, da matéria-prima ao que foi vendido
O demonstrativo se lê de cima para baixo. Primeiro as matérias-primas: o estoque inicial mais as compras menos o estoque final dão o consumo, isto é, o que de fato foi gasto. Depois a mão de obra direta e os custos indiretos, que se somam a esse consumo para chegar ao custo de produção do período. E no fim os produtos acabados: o que já estava fabricado no início, mais o que foi fabricado, menos o que ficou sem vender, dão o custo de produção e vendas.
Numa linha: matéria-prima até o consumo, consumo até o custo de produção, e custo de produção até o que foi vendido. Cada passo desconta o que ficou no estoque, e por isso o demonstrativo não termina no que foi comprado nem no que foi fabricado, mas no que saiu.
O que a planilha inclui
O item fica na coluna A e o valor na coluna C. Algumas linhas são digitadas e outras se calculam sozinhas. Esta é a lista completa, na ordem em que aparece.
| Linha | Digitada ou calculada | O que representa |
|---|---|---|
| Estoque inicial de matérias-primas | Digitada | O saldo com que o almoxarifado de matéria-prima abriu |
| Compras | Digitada | Tudo o que entrou no período, consumido ou não |
| Estoque final de matérias-primas | Digitada | Desconta: o que foi comprado e ficou guardado no estoque |
| Consumo de matérias-primas | Calculada | Inicial mais compras menos final: o que de fato foi consumido |
| Mão de obra direta | Digitada | O custo das pessoas que trabalham diretamente no produto |
| Materiais indiretos | Digitada | O que se consome sem fazer parte do produto |
| Mão de obra indireta | Digitada | O pessoal de apoio: supervisão, almoxarifado, manutenção |
| Aluguel e serviços | Digitada | A parte da fábrica que cabe à produção |
| Depreciação e outros | Digitada | O desgaste das máquinas e dos equipamentos |
| Total dos custos indiretos | Calculada | A soma das quatro linhas acima |
| Custo de produção do período | Calculada | Consumo mais mão de obra mais custos indiretos |
| Produtos acabados inicial e final | Digitadas | O que já estava fabricado e o que ficou sem vender |
| Custo de produção e vendas | Calculada | O último total: o que vai para a demonstração do resultado |
| Conferência | Calculada | Cruza o último total com o custo das vendas já registrado |
Os quatro números grandes do demonstrativo não se digitam: se calculam. O que se digita são os saldos de estoque, as compras, a mão de obra, as quatro linhas de custos indiretos e os produtos acabados.
O exemplo numérico, passo a passo
Este é o caso resolvido que acompanha o modelo, com os números na mesma ordem do demonstrativo.
| Item | Valor |
|---|---|
| Estoque inicial de matérias-primas | 800.000 |
| Mais compras do período | 2.400.000 |
| Menos estoque final de matérias-primas | 600.000 |
| Consumo de matérias-primas | 2.600.000 |
| Mais mão de obra direta | 1.800.000 |
| Mais materiais indiretos | 350.000 |
| Mais mão de obra indireta | 250.000 |
| Mais aluguel e serviços | 400.000 |
| Mais depreciação e outros | 200.000 |
| Total dos custos indiretos | 1.200.000 |
| Custo de produção do período | 5.600.000 |
| Mais produtos acabados inicial | 900.000 |
| Menos produtos acabados final | 700.000 |
| Custo de produção e vendas | 5.800.000 |
| Custo das vendas na demonstração do resultado | 5.800.000 |
| Diferença da conferência | 0 |
A conferência fecha porque o último total do demonstrativo e o custo das vendas já registrado são o mesmo número. Quando não coincidem, a planilha avisa e mostra a diferença, que é onde costumam aparecer os problemas de estoque: material recebido e não registrado, saídas sem documento de suporte e contagens que não foram lançadas na contabilidade. Esse aviso não resolve o problema, mas diz quanto ele vale e onde procurar.
Por que o estoque final se desconta
É a confusão mais comum. Se foram comprados 2.400.000 de matéria-prima e sobraram 600.000 no estoque no fechamento, esses 600.000 não foram consumidos: continuam ali, prontos para o período seguinte. Cobrá-los como custo do que foi vendido seria carregar no mês uma despesa que ainda não aconteceu. Por isso o estoque final se desconta: o que não foi consumido ficou no estoque e passa a ser custo do período em que for usado.
O estoque inicial, ao contrário, soma: essa matéria-prima foi paga antes e é agora que se consome.
Por que o produto que ficou sem vender também se desconta
O mês termina e há produtos acabados que ninguém comprou. Eles já custaram matéria-prima, mão de obra e serviços, mas ainda não geraram receita. Se ficassem dentro do custo das vendas, a demonstração do resultado mostraria um custo sem a sua receita e a margem apareceria afundada sem motivo. Por isso os produtos acabados finais se descontam do custo de produção: o que ficou no estoque é separado e se transforma em custo do período em que for vendido.
Os dois descontos são a mesma ideia aplicada duas vezes: uma no estoque de matéria-prima e outra no de produtos acabados. O que não saiu não se desconta contra as vendas do mês.
Deste demonstrativo para a demonstração do resultado
O último total deste demonstrativo alimenta a linha de custo das vendas da demonstração do resultado, e essa linha transforma a receita de vendas em lucro bruto. Se o total está errado, a margem também fica errada.
A conferência contra o custo das vendas
A última linha da planilha cruza o total calculado com o custo das vendas já registrado na contabilidade. Se os dois números coincidem, o demonstrativo fecha. Se não coincidem, a planilha avisa e mostra a diferença, que é onde costumam nascer os problemas de estoque: material recebido e não registrado, saídas sem suporte e contagens que não passaram para a contabilidade. Esse aviso não resolve o problema, mas diz quanto ele vale e onde procurar.
A mão de obra e os custos indiretos
A mão de obra direta é o custo das pessoas que trabalham diretamente no produto: a linha de produção, o operador da fábrica, quem monta e quem embala. Se essas horas forem lançadas em despesas administrativas, o custo de produção sai incompleto e o lucro bruto parece melhor do que é.
Os custos indiretos são tudo o que se precisa para produzir sem estar no produto em si. O modelo traz quatro linhas: materiais indiretos, mão de obra indireta, aluguel e serviços, e depreciação e outros. No exemplo somam 1.200.000, e esse total entra no custo de produção junto com o consumo e a mão de obra.
Como preencher, passo a passo
- Faça a contagem física dos dois estoques antes de abrir o arquivo: o demonstrativo não adivinha estoque, ele o recebe.
- Digite o estoque inicial de matérias-primas exatamente como fechou no período anterior, para que os dois períodos se liguem sem buracos.
- Registre as compras do período, inclusive as que chegaram no último dia e ainda não tinham sido faturadas.
- Digite a mão de obra direta e as quatro linhas de custos indiretos, cada uma na sua linha, sem forçar agrupamentos.
- Carregue os produtos acabados inicial e final, os dois saldos que fecham o percurso, e revise o custo de produção do período.
- Leve o último total para a linha de conferência e deixe a planilha dizer se fecha com o custo das vendas. Se não fechar, corrija o estoque ou o suporte antes de seguir.
Dicas e erros comuns
- Não misture a compra com o consumo. A compra do mês pode ser o dobro do consumo se o preço estava bom, e isso não dobra o custo do que foi vendido.
- Conte os dois estoques no mesmo dia: uma contagem de matéria-prima no dia 28 e outra de produtos acabados no dia 3 não descrevem o mesmo período.
- Guarde o suporte de cada saída de estoque e separe as perdas do que foi vendido: o que se estragou entra como prejuízo, não como custo das vendas.
- Não ajuste o total na mão para fechar com a contabilidade. Se a conferência não fecha, há algo para lançar, e tapar isso hoje é encontrar o dobro amanhã.
- Revise o critério de rateio dos custos indiretos e aplique o mesmo todos os meses: mudar o critério no meio do ano faz o custo dar saltos sem que nada real tenha mudado.
- Tenha claro que este demonstrativo é uma ferramenta de controle interno e de análise de custos: não substitui a demonstração do resultado, não substitui um documento oficial e não substitui o critério do contador.
Quando vale passar para um software
O modelo funciona muito bem enquanto o negócio fabrica poucos produtos e uma só pessoa alimenta o custo. Quando o catálogo cresce, quando há várias ordens de produção abertas ao mesmo tempo ou quando o estoque se move todos os dias, a planilha fica curta: o estoque é digitado na mão e ninguém vê o custo na hora.
O passo natural é levar o custo para um sistema que o calcule à medida que o estoque se move. O Kardex Tauro trabalha com kardex valorizado, ordens de produção e custo das vendas ligados entre si, de modo que o consumo de matéria-prima e os produtos acabados se atualizam a cada movimento. Mesmo assim, vale começar pelo modelo: entender o percurso do custo é o passo anterior para configurar bem qualquer sistema.
Baixe o demonstrativo, monte-o com o exemplo verificado deste guia e compare o resultado com o custo das vendas que você já tem registrado. Este demonstrativo se apoia no modelo de custo das vendas e no de estoques, onde são anotadas as contagens que aqui viram números.
⬇ Baixar o modelo (Excel .xlsx)







