Modelo de conciliação bancária no Excel

Modelo de conciliação bancária no Excel

Nenhum negócio escapa desta cena: chega o extrato do banco, alguém compara com o que diz a contabilidade e os dois saldos não batem. A diferença pode ser grande ou de alguns centavos, mas enquanto não for explicada ninguém pode ter certeza de quanto dinheiro existe de fato na conta. Quase sempre há um motivo concreto: um cheque emitido que o banco ainda não compensou, um depósito feito no último dia do mês que o banco creditou no dia seguinte, uma nota de crédito que ninguém lançou nos livros ou uma tarifa que o banco descontou e ficou sem registro. O problema não é a diferença existir, e sim não saber de onde ela vem.

Este modelo de conciliação bancária reúne os dois saldos num único arquivo, coloca um ao lado do outro e deixa por escrito cada partida que explica a distância entre eles. Serve para qualquer negócio que tenha conta bancária, com um ou com cem movimentos por mês, e pode ser usado pelo contador, pelo auxiliar administrativo ou pelo dono que confere as contas no fim de semana.

O arquivo está em Excel, com as fórmulas já prontas: os blocos do banco e dos livros com seus totais automáticos, o espaço para as partidas de cada lado e uma linha final que diz se a conciliação fecha ou se ainda falta algo para revisar. Vale a pena ler o arquivo inteiro uma vez antes de usar, porque a ordem dos blocos é o que ensina a lógica do acerto.

⬇ Baixar o modelo (Excel .xlsx)

O que é conciliar e para quem serve este formato

Conciliar é explicar, com documentos à vista, por que o saldo que aparece no extrato do banco não é igual ao saldo que aparece na contabilidade. Não se trata de decidir quem está certo nem de mexer num número até que ele bata: trata-se de localizar e anotar cada partida que já está registrada de um lado e ainda não está do outro. Quando todas as partidas estão identificadas, os dois saldos chegam ao mesmo valor e a diferença é zero.

Os dois lados falam da mesma coisa sob pontos de vista diferentes. O banco registra o que já passou pela conta: os cheques que foram realmente compensados, os depósitos que recebeu, os débitos de tarifas e os créditos de rendimentos ou empréstimos. A contabilidade registra o que o negócio decidiu e lançou, mesmo que o movimento ainda não tenha passado pelo banco. Por isso o cheque emitido no dia 28 aparece nos livros nesse mesmo dia e só aparece no extrato quando o fornecedor o compensa, às vezes semanas depois.

O formato serve tanto para o negócio pequeno, em que uma só pessoa cuida do caixa e do banco, quanto para a empresa média com várias contas e um auxiliar dedicado. Ele é indispensável quando se usam cheques, quando há depósitos de clientes creditados com atraso, quando o banco cobra tarifas e quando existem empréstimos ou contas de poupança com rendimentos. Faz-se uma vez por mês, no fechamento, e nenhum mês é pulado: uma conciliação antiga é um problema acumulado.

O que o modelo inclui

O arquivo traz os blocos na ordem em que são lidos, de cima para baixo. Não há fórmula para brigar: as células que somam e subtraem já estão programadas e só se digitam os valores e as partidas.

BlocoO que contém e para que serve
Saldo conforme o extrato bancárioO saldo final que aparece no extrato do mês, exatamente como o banco informa.
Partidas que o banco ainda não registraDepósitos em trânsito, cobranças pendentes e notas de crédito ainda não creditadas: dinheiro que já é do negócio, mas que o banco ainda não reflete como saldo maior.
Saldo conciliado conforme o bancoO saldo do extrato mais as partidas anteriores. É o banco visto com a informação completa do negócio.
Saldo conforme os livrosO saldo que a contabilidade ou o auxiliar de bancos apresenta no fechamento do mês.
Ajustes que faltam nos livrosNotas de crédito não lançadas, notas de débito não descontadas e cheques emitidos não compensados que o banco movimentou e os livros não.
Saldo conciliado conforme os livrosO saldo dos livros mais ou menos os ajustes que faltavam. Precisa dar o mesmo valor do saldo conciliado conforme o banco.
Diferença e resultadoA subtração entre os dois saldos conciliados. Se der zero, o status diz conciliado; se não, pede revisar partidas.

O arquivo traz ainda uma aba de instruções com o passo a passo e o significado de cada bloco, para que qualquer pessoa que abra o arquivo consiga fazer a conciliação sem depender de quem o montou.

As colunas da aba

Toda a conciliação se apoia em três colunas, e por isso vale entendê-las antes de começar a digitar. A aba não pede mais dados: pede os dados certos.

ColunaO que se escreve aliComo é usada
ConceitoO nome de cada bloco e de cada partida: data, número do cheque, número da nota, nome do cliente ou do fornecedor e uma descrição curta.Os conceitos dos blocos já vêm escritos; as partidas são digitadas pelo usuário, uma a uma.
ValorA cifra, sem símbolo de moeda, com o formato de milhar e de decimal de sempre.Os valores das partidas são somados pela fórmula do bloco correspondente e levados ao saldo conciliado.
NotasExplicação breve da partida: por que não está registrada, quem deve revisá-la ou quando se espera que se normalize.É a coluna que salva a conciliação no mês seguinte, quando ninguém mais lembra do que se tratava.

As colunas calculadas —totais por bloco, saldo conciliado e diferença— alimentam-se sozinhas das três anteriores. O saldo conciliado conforme o banco pega o extrato, soma as partidas pendentes do banco e subtrai os cheques emitidos não compensados. O saldo conciliado conforme os livros pega o saldo dos livros e soma ou subtrai os ajustes que faltavam. A diferença que sobra entre as duas linhas é o que diz se a conciliação está terminada ou se ainda falta procurar uma partida.

O exemplo com números: assim se explica o acerto

Imagine uma conta com um único cheque e um único depósito pendentes. O extrato do mês fecha em 12.400.000. Durante o mês o negócio depositou 800.000 no último dia útil e o banco creditou no dia seguinte, então isso ainda não aparece no extrato. Além disso, emitiu um cheque de 500.000 que o fornecedor não compensou. Do lado dos livros, o auxiliar lançou 12.500.000, mas deixou de fora uma nota de crédito de 200.000 que o banco creditou no mês.

ConceitoValorComo se lê
Saldo conforme o extrato bancário12.400.000O ponto de partida do lado do banco.
Mais depósito em trânsito não registrado pelo banco800.000Dinheiro depositado que o banco vai creditar nos próximos dias.
Menos cheque emitido não compensado500.000O banco ainda não o descontou da conta.
Saldo conciliado conforme o banco12.700.00012.400.000 mais 800.000 menos 500.000.
Saldo conforme os livros12.500.000O saldo que a contabilidade do negócio apresenta.
Mais nota de crédito não registrada nos livros200.000Um crédito do banco que ainda não havia sido contabilizado.
Saldo conciliado conforme os livros12.700.00012.500.000 mais 200.000.
Diferença0Conciliado: não sobra nenhuma partida para explicar.

O importante deste exemplo não é a cifra, e sim o método. Os dois lados chegaram ao mesmo número por caminhos diferentes e cada passo ficou escrito e comprovado: o depósito com seu comprovante, o cheque com seu número, a nota com seu documento. No dia em que alguém perguntar por que o banco e os livros mostravam saldos diferentes, a resposta está na aba, com nome e valor.

Quando a diferença não dá zero, não se mexe no resultado: procura-se a partida. As causas mais comuns são uma partida lançada duas vezes, uma cifra digitada errada, uma tarifa do banco que ninguém tinha visto ou um cheque de um mês anterior que venceu e precisa ser revertido. Nunca se acrescenta um ajuste inventado para fechar a diferença, porque isso esconde o erro em vez de corrigi-lo e a diferença reaparece no mês seguinte, maior.

Como usar o modelo passo a passo

  1. Baixe o arquivo e guarde uma cópia por mês, com o nome da conta e do período, por exemplo conciliacao-2026-09.
  2. Digite o saldo final do extrato bancário no primeiro bloco e o saldo conforme os livros no bloco do lado contábil.
  3. Liste as partidas do banco: depósitos em trânsito, cobranças pendentes e notas de crédito não creditadas, cada uma com data, referência e valor.
  4. Liste as partidas dos livros: cheques emitidos não compensados, notas de débito não descontadas e tarifas do banco que ainda faltam lançar.
  5. Confira se os dois saldos conciliados dão o mesmo valor e olhe a linha da diferença: zero é conciliado e qualquer outro valor pede revisar partidas.
  6. Lance na contabilidade os ajustes que faltavam, guarde o arquivo com os comprovantes e deixe a assinatura de quem preparou e de quem revisou a conciliação.

Dicas e erros comuns

  • Todo mês, e não no fechamento do ano: as partidas antigas se perdem e no fim ninguém mais lembra do que eram.
  • Conciliar contra o extrato definitivo e não contra a tela do aplicativo, que mostra movimentos em trânsito que ainda não foram concluídos.
  • Anotar sempre a referência: número do cheque, do depósito ou da nota. Um valor sem referência é um valor que terá de ser investigado novamente.
  • Não apagar as partidas que se normalizaram: elas são marcadas como conciliadas e ficam na aba, porque são o histórico do movimento.
  • Nunca forçar o acerto com um ajuste inventado para que a diferença dê zero: se não bate, falta uma partida, e essa partida precisa ser encontrada.
  • Uma aba por conta: misturar duas contas numa única conciliação torna impossível acompanhar qualquer partida.

Quando passar para um software de estoque e contabilidade

O modelo funciona muito bem enquanto o negócio tem uma conta, poucos cheques e um volume administrável de movimentos. Quando as contas se multiplicam, quando os cheques se cruzam com pagamentos eletrônicos, quando entram vários depósitos por dia ou quando a contabilidade e o estoque vivem em arquivos separados, a conciliação manual começa a consumir mais tempo do que deveria e cresce o risco de um movimento ficar sem revisão.

Nesse ponto faz sentido apoiar-se num sistema. O Kardex Tauro mantém estoque, vendas, compras e carteira na mesma base de dados, de modo que os movimentos que chegam à conciliação já vêm registrados com documento e data, e não é preciso reconstruí-los numa planilha. Assim a conciliação deixa de ser um trabalho de arqueologia e passa a ser uma revisão: comparam-se os dois saldos, olham-se as partidas pendentes e fecha-se o mês. Se o negócio ainda é pequeno, este modelo é o melhor ponto de partida; dê o passo para o software quando o volume já não permitir revisá-lo com calma.

Conciliar não é uma formalidade para o contador: é a única forma de saber que o dinheiro que a contabilidade mostra existe de verdade no banco. Com este modelo, o acerto fica explicado por partidas, com comprovantes e com o nome de quem revisou, e a diferença deixa de ser um mistério para virar uma lista curta de coisas a fazer.

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