Modelo de custeio de produto no Excel

Modelo de custeio de produto no Excel

É comum que uma empresa pequena saiba por quanto vende e não saiba quanto custa produzir o que vende. O preço é definido copiando a concorrência, somando uma margem no olho ou repetindo o que se fazia no ano passado, e assim um produto pode dar lucro ou pode estar sendo vendido abaixo do próprio custo sem que ninguém perceba. Essa diferença aparece tarde, quando o dinheiro não fecha e já não se sabe com clareza qual produto sustenta o negócio e qual só dá trabalho.

Custeio de produto é colocar número no que custa cada unidade: o que se gastou em insumos, o que valeu a mão de obra, a parte dos custos indiretos que lhe corresponde e o que se perde por quebra ou desperdício. Este modelo de custeio de produto no Excel é um arquivo de trabalho com trinta produtos já preparados, com seus insumos, sua mão de obra, seus custos indiretos e seu desperdício, e com o custo do lote e o custo unitário calculados de forma automática.

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O que é o custeio de produto e para quem serve

Custear é desmontar o produto nas partes que consomem dinheiro. Um caderno não custa apenas o papel: custa as folhas, a capa, a cola, os minutos de quem o monta, a luz da oficina e o caderno que saiu torto e foi jogado fora. Cada uma dessas partes tem um valor e todas juntas formam o custo. O modelo organiza essas partes em colunas para que o total não dependa da memória nem da última vez que alguém calculou algo à mão em um guardanapo.

Serve a qualquer negócio que transforme materiais em um produto e precise saber quanto custa cada unidade: padarias, ateliês de costura, pequenas fábricas de alimentos, marcenarias, gráficas, oficinas de calçados, produção de produtos de limpeza e artesanato. Serve também a quem compra para revender e monta combos ou apresentações, porque o mesmo exercício se faz com os produtos que são embalados juntos.

Não exige conhecimentos contábeis avançados. Basta saber o que foi comprado, quanto se pagou e quanto tempo levou para montar. O que exige é constância: um custo calculado uma vez e nunca mais revisto envelhece a cada mudança de preço do fornecedor, e um custo velho é quase tão perigoso quanto não ter custo.

O custo unitário é a base do preço

Vale separar duas coisas que costumam se confundir. O custo diz quanto vale produzir uma unidade; o preço é a decisão de quanto cobrar por ela. Entre os dois vive a margem. Se o custo está mal calculado, a margem é uma ilusão: pode-se vender muito, cobrar bem e ainda assim não sobrar nada, porque cada venda estava repondo o produto com prejuízo.

O desperdício é o que separa o custo teórico do custo real. Na lista de materiais tudo sai perfeito; na oficina quebra, estraga, vence, corta mal ou derrama. Distribuir essa perda entre as unidades boas, incluindo o desperdício no cálculo, é o que faz o custo unitário ser o que de fato sustenta o preço. Essa cifra é também o ponto onde nasce o custo das vendas: quando o produto é vendido, é isso que sai do estoque e entra na demonstração de resultados.

O que o modelo inclui

BlocoO que traz
ProdutosTrinta linhas prontas para o nome do produto, sua unidade e suas observações.
Custo diretoColunas de insumos, mão de obra e custos indiretos por lote.
DesperdícioColuna editável, preenchida, ajustada por produto conforme o que se perde.
Cálculo automáticoCusto do lote e custo unitário, calculados a partir das colunas anteriores.
Lista de unidadeLista suspensa para não escrever a mesma unidade de várias formas.
TotaisSoma de insumos, mão de obra, custos indiretos e custo do lote.
ResumoProdutos custeados, custo unitário médio e lote mais caro.

A planilha não traz cifras de exemplo obrigatórias: os produtos são preenchidos com os dados próprios. Também não pede documentos oficiais nem dados de terceiros. Tudo o que precisa são os valores de compra, as horas de trabalho e uma estimativa honesta do que se perde.

As colunas da planilha

ColunaO que se escreve
ProdutoO nome do produto ou da referência que está sendo custeada.
UnidadeA unidade em que se produz e se vende: unidade, caixa, dúzia, quilo, metro ou litro, escolhida da lista.
InsumosO valor dos materiais que entram no lote completo.
Mão de obraO valor do tempo de trabalho que leva para montar o lote.
Custos indiretosA parte de luz, água, aluguel da oficina, ferramentas e manutenção que corresponde ao lote.
DesperdícioO percentual que se perde no processo; vem preenchido e pode ser editado.
Custo do lote (automática)A soma de insumos, mão de obra e custos indiretos, mais o desperdício.
Unidades do loteQuantas unidades boas o lote rende, não quantas iniciaram o processo.
Custo unitário (automática)O custo do lote dividido entre as unidades do lote.
ObservaçõesO fornecedor, a apresentação ou o lote de onde saiu o dado.

As colunas de insumos, mão de obra, custos indiretos e desperdício são digitadas; as de custo do lote e custo unitário se calculam sozinhas. A coluna de observações recebe o que não cabe em um número: o fornecedor, a apresentação, o tamanho ou o lote de onde saiu o dado. Deixar essa coluna em branco é um desperdício, porque a observação explica de onde veio o custo e quando vale revisá-lo.

Como funciona o cálculo: do insumo ao custo unitário

O cálculo soma os três grupos de custo, acrescenta o desperdício e distribui o total entre as unidades boas do lote. Com as cifras do exemplo: insumos de 120.000, mão de obra de 60.000 e custos indiretos de 20.000. O subtotal é 200.000. Um desperdício de cinco por cento acrescenta 10.000, o custo do lote fica em 210.000 e, se o lote rende cem unidades, o custo unitário é 2.100.

Rubrica do loteValor
Insumos120.000
Mão de obra60.000
Custos indiretos20.000
Subtotal200.000
Desperdício de cinco por cento10.000
Custo do lote210.000
Unidades do lote100
Custo unitário2.100

A leitura dessa tabela é o que importa. Os insumos são a parte mais visível e às vezes a única que se olha, mas não são todo o custo. A mão de obra e os custos indiretos costumam pesar mais do que parecem, sobretudo quando o produto leva tempo de montagem ou quando a oficina mantém luz, água e aluguel ligados todos os dias. E o desperdício, mesmo parecendo um detalhe, é o que separa o lucro do empate.

Com o custo unitário à vista, qualquer conversa sobre preço deixa de ser uma discussão de opiniões. Dá para comparar o custo com o preço de venda, ver quanto sobra por unidade e decidir com base em um número. Se a margem não alcança, as saídas são duas: subir o preço ou baixar o custo, e para baixar o custo é preciso saber antes qual dos três grupos pesa mais.

Passo a passo para custear um produto

  1. Reúna as compras do produto. Pegue as notas ou os recibos dos insumos e anote o valor do que entra por lote, e não o de uma única unidade.
  2. Meça o tempo de trabalho. Cronometre ou estime as horas que levam para montar o lote e multiplique pelo valor da hora de quem faz.
  3. Distribua os custos indiretos. Some o que se gasta em luz, água, aluguel da oficina, ferramentas e manutenção do período e atribua uma parte razoável a cada produto.
  4. Estime o desperdício com dados próprios. Conte o que se estragou no mês passado e transforme em um percentual do lote; se não tiver o dado, comece com um valor baixo e ajuste quando medir.
  5. Deixe a planilha calcular. O custo do lote e o custo unitário saem sozinhos; confira se as unidades do lote são as unidades boas, e não as que iniciaram o processo.
  6. Compare o custo com o preço e repita o exercício a cada trimestre. Um custo que não se revisa envelhece a cada mudança do fornecedor ou do valor da hora.

Conselhos e erros comuns

  • Não esqueça a mão de obra própria. O tempo do dono também custa, mesmo que não seja pago como salário.
  • Não carregue todos os custos indiretos em um único produto. Distribua por tempo de uso ou por unidades, mas não deixe que o mais vendido carregue tudo.
  • Não confunda custo com despesa. O aluguel do escritório de vendas não é custo do produto; a luz da oficina, sim.
  • Não use o preço de tabela do fornecedor sem descontos nem frete: o insumo custa o que se paga colocado no negócio.
  • Não deixe o desperdício em zero. Um custo sem desperdício é um custo de catálogo, não um custo de oficina.
  • Não custeie uma única vez. O custo muda quando muda o fornecedor, a embalagem ou o tempo de montagem.

Quando passar para um software

Enquanto o negócio tem poucos produtos e os valores mudam de vez em quando, a planilha é suficiente: entende-se de relance, não depende de internet e qualquer pessoa pode abri-la. A coisa muda quando o catálogo cresce, quando o mesmo insumo entra em vários produtos e quando o preço de compra se move todo mês. Aí a planilha começa a ficar para trás, porque alguém tem de atualizar cada linha à mão e, se esquecer uma, o custo unitário mente sem avisar.

Um sistema de gestão como Kardex Tauro mantém o custo em dia, porque as compras e os movimentos de estoque já ficam registrados e o custo do produto é recalculado com esses dados, sem redigitar a planilha. O arquivo continua sendo o lugar natural para entender o cálculo e revisar premissas; o sistema é o lugar onde o custo se sustenta sozinho, produto por produto, semana após semana. Quando o negócio lida com centenas de referências ou várias pessoas precisam do mesmo dado, a decisão já não é sobre economizar uma planilha: é sobre trabalhar com um custo em que se possa confiar.

Custear não é um exercício de contabilidade: é saber quanto vale o que se vende. Comece com seus próprios insumos, seu próprio tempo e seu próprio desperdício, deixe a planilha fazer a conta e revise o resultado a cada trimestre. No dia em que o fornecedor mudar o preço, você já terá com que responder.

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